Brincar é coisa séria
Ao resgatar os momentos mais especiais da nossa infância, muitas das lembranças estão ligadas às antigas brincadeiras. Em outras épocas, as crianças corriam pelas ruas, brincavam de carrinho de rolimã, subiam em árvores, jogavam bola livremente. As sensações evocadas por essas experiências costumam ser reconfortantes. Infelizmente, as gerações atuais possuem espaços restritos, tendo que se adaptar às limitações da vida moderna. Atualmente, os pequenos têm a agenda lotada por aulas extras, dezenas de atividades físicas, e a brincadeira, algumas vezes, fica limitada ou se restringe aos jogos eletrônicos.
Embora muitos achem que é perda de tempo reservar um espaço para a diversão, acredite: jogos e brincadeiras são essenciais para o bom desenvolvimento da criança. E, com tantas tarefas e compromissos, é preciso garantir que as crianças tenham esse espaço. Em 1938, o filósofo Johan Huizinga já levantava discussões sobre a importância dessas atividades. Ele argumentava que o jogo é uma categoria absolutamente primária da vida, tão essencial quanto o raciocínio.
“Por meio das brincadeiras, aparentemente descompromissadas, a criança aprende sobre o mundo
“Por meio das brincadeiras, aparentemente descompromissadas, a criança aprende sobre o mundo, amplia seus conhecimentos, passa a conhecer melhor o ambiente físico e seu próprio corpo, além de processar sentimentos e emoções”, reforça Ana Carolina Takenaka Medeiros, psicóloga da Unidade Materno-Infantil e supervisora da Brinquedoteca do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).
Diversão é saúde
E não é só a garotada que acumula conhecimentos com a prática: os adultos se libertam do estresse e abrem novos horizontes. “O brincar e o lazer são essenciais para a manutenção da saúde física, mental e emocional”, diz Ana. Dentre os benefícios, fazem parte: a reorganização emocional, o contato com novidades, o aprimoramento do intelecto e da socialização, entre tantos outros.
Não é à toa que na Declaração Universal dos Direitos da Criança, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicada em 1959, está como um dos direitos principais “desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras, os quais deverão estar dirigidos para a educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício desse direito”.
Formas de brincar
“Essa tecnologia, porém, deve ser usada com cautela. Além disso, os pais devem restringir o acesso a conteúdos inadequados à idade. Até Bill Gates limita o tempo de utilização do computador de seus filhos”
Das antigas brincadeiras – como empinar pipa, pega-pega, corre-cotia – às supermodernas, como videogame, computador e até as distrações da televisão, todas podem ser aliadas de uma educação saudável, basta ter bom senso.
Os recursos eletrônicos estimulam a agilidade manual, a aprendizagem de tentativa e erro, a rapidez no processamento de informações, a percepção sensorial e espacial, além de aguçar o planejamento e gerenciamento de recursos. “Essa tecnologia, porém, deve ser usada com cautela. Além disso, os pais devem restringir o acesso a conteúdos inadequados à idade. Até Bill Gates limita o tempo de utilização do computador de seus filhos”, alerta Ana.
O segredo é mostrar para os pequenos que há um grande leque de possibilidades para se divertir. As brincadeiras consideradas antigas, mas que ainda fazem parte do repertório de muitas crianças, também contribuem – e muito – no desenvolvimento dos pequenos: incentivam valores como o respeito ao próximo, a empatia, a paciência, o entendimento de regras, a capacidade de dividir. E mais: as atividades físicas ajudam a prevenir obesidade e doenças cardiovasculares; enfim, contribuem para melhorar a qualidade de vida.
Cada idade, uma atividade
Não há regras na hora de usar a imaginação e escolher a atividade de lazer, mas os pais podem e devem oferecer brinquedos seguros, que sejam adequados à idade e à capacidade da criança. Confira os gostos da turma.
Cada idade, uma atividade
Maio/2008
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