Bem-estar e Qualidade de Vida

Ambiente livre de tabaco

Fumar faz mal à saúde não apenas da pessoa que realiza o ato, mas também das que estão próximas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável.

Ambiente livre de tabacoE, pior ainda, ocupam o terceiro lugar nessa lista os fumantes passivos. Com dados tão alarmantes, sobretudo em relação àqueles que não fumam, o Estado de São Paulo sancionou a Lei nº 13.541, em vigor desde 7 de agosto de 2009.

A chamada Lei Antifumo vale para todos os locais fechados de uso coletivo, como bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais – ou seja, propõe ambientes 100% livres do tabaco.

Até mesmo os chamados fumódromos estão proibidos, inclusive no trabalho.

“Existe uma preocupação não só do ponto de vista individual como também público, o que faz com que órgãos governamentais venham priorizando a cessação do tabagismo entre seus focos no âmbito da saúde”, diz o dr. Hamer Nastasy Palhares Alves, psiquiatra do Núcleo de Atenção em Tabagismo Einstein (NATE), do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), os ambientes 100% livres do tabaco são a única forma comprovada de proteger adequadamente o fumante passivo contra todos os efeitos decorrentes da fumaça inalada.

Essa medida acompanha uma tendência internacional de restrição ao fumo, adotada em cidades do mundo todo, inicialmente em 2003, na Irlanda, e hoje já em Nova York, Londres, Paris, Buenos Aires, entre outras.

A Lei Antifumo restringe, mas não proíbe o ato de fumar. Cigarro, cigarrilha, charuto e cachimbo continuam autorizados dentro das residências, das vias públicas e em áreas ao ar livre. Ou seja, o alvo de fiscalização não são os fumantes, e sim os estabelecimentos. Mas é importante ter consciência e colaborar para a saúde do próximo.

Os benefícios da lei

O fumo pode causar danos a praticamente todos os órgãos e tecidos.

“Entre os problemas mais comuns estão as doenças cardiovasculares e pulmonares, o câncer, a piora do desempenho físico, a disfunção sexual e o aumento do risco desses mesmos problemas entre os fumantes passivos”, alerta o dr. Hamer.

A existência dos ambientes livres de tabaco, portanto, é importante também para diminuir o estímulo ao início do hábito e ajudar os dependentes a buscar tratamento contra o vício. “É fundamental que exista esse compromisso de ações educativas sobre o tema e incentivo ao tratamento, dentro das instituições de saúde”, diz Fernanda Rocha de Freitas Vidal, psicóloga do NATE.

Para a dra. Ana Luiza Simões Camargo, psiquiatra do hospital e coordenadora do NATE, os maiores beneficiados pela lei serão os fumantes, que poderão ter acesso a um maior conhecimento sobre as consequências a que estão sujeitos.

“A grande maioria deseja parar de fumar, mas está presa à dependência que a nicotina causa, precisando de ajuda para vencê-la”, afirma.

Antifumo no Einstein

Dentro do Einstein a preocupação com a saúde dos pacientes fumantes e de pessoas próximas é antiga.

Em janeiro de 2008, o Hospital inaugurou o Núcleo de Atenção em Tabagismo Einstein (NATE), que vem realizando campanhas e ações de educação em saúde e prevenção relacionadas ao tema, além de incentivo ao tratamento, com a adoção de um programa de atenção ao tabagista tanto no nível ambulatorial como na internação. “O ‘Manual do Paciente’, por exemplo, entregue na hora da internação, traz informações importantes sobre tratamento e estratégias para deixar o tabagismo”, esclarece a dra. Ana Luiza.

Há um ano é desenvolvido também o trabalho “Einstein – ambiente livre de tabaco”, que envolve ações relativas a todas as instâncias da instituição, funcionários, médicos e pacientes.

O dr. Alfredo Maluf Neto, psiquiatra do Einstein, lembra que não há quartos para fumantes no hospital. O fumo pode atrapalhar a recuperação e a cicatrização depois de uma cirurgia, além de constranger, muitas vezes, os demais internados. “Existem métodos para tratamento dos pacientes que optarem por abandonar o vício a partir da internação ou reposição de nicotina temporária para os que não conseguirem”, diz.

Os pacientes que já estiverem aptos a caminhar pelo hospital, bem como os familiares, poderão, se desejarem, fumar nas áreas externas do Einstein. Mas a proposta em médio prazo é ter em todo o Hospital um ambiente 100% livre do tabaco.

Agosto / 2009

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