Um ambiente calmo, silencioso e com muita beleza. Essa é a busca de mais de 1 milhão de pessoas que praticam mergulho, no Brasil, segundo o portal Brasil Mergulho, uma das referências sobre o assunto no país. “A prática traz bem-estar, paz e muita tranquilidade”, afirma Clécio Mayrink, coordenador do portal e mergulhador profissional há mais de 20 anos.
Quem já mergulhou sabe: o contato com a água e a contemplação submarina são dois ingredientes infalíveis para aliviar as tensões, mas os benefícios vão além da sensação antiestresse. “O ponto positivo desse esporte é a melhora da capacidade cardiorrespiratória, muscular e mental”, explica a dra. Rebeca Boltes Cecatto, médica fisiatra do Hospital Israelita Albert Einstein. No entanto, é aconselhável praticá-lo em conjunto com outras modalidades esportivas, para potencializar os benefícios à saúde.
Antes de tudo, porém, deve-se consultar um médico e passar por um checkup – em geral pedido por cursos sérios no ato da matrícula. Afinal, esse esporte exige do organismo maior capacidade cardiopulmonar, razão pela qual pessoas com problemas cardíacos ou respiratórios precisam do aval médico para praticá-lo.
“É necessário avaliação prévia, pois algumas condições clínicas específicas, como problemas cardíacos, asma e diabetes, podem impedir sua prática”, afirma a fisiatra. O ideal é consultar um profissional especializado em mergulho, ou seja, o médico hiperbárico. Se preciso, ele fará o encaminhamento para profissionais de outras áreas, como pneumologia ou endocrinologia, por exemplo.
Modalidades
O mergulho é dividido em duas modalidades:
- autônoma: é aquela na qual o mergulhador é treinado e usa equipamentos especiais (como cilindro de oxigênio) para atingir grandes profundidades. Para praticar esse tipo de mergulho é necessário fazer um curso específico, passar por um teste - chamado de “batismo” - e ter carteirinha de mergulhador. Tantos requisitos são recompensados pelo visual que se tem a mais de cinco metros de profundidade.
- livre: consiste no mergulho com snorkel – tubo de respiração –, máscara e nadadeira. O fôlego limita o desempenho do mergulhador, pois não é possível submergir mais que três metros.
Regras
Como qualquer outro esporte, há regras para sua prática. Da modalidade autônoma podem participar apenas maiores de 12 anos.
“Para os pequenos, o ideal é começar com o mergulho livre. É importante que estejam sob orientação de profissionais qualificados, que respeitam o tempo, a frequência respiratória e a profundidade, de acordo com a idade da criança”, alerta a dra. Rebeca.
Os idosos podem ficar menos despreocupados, pois não há limite de idade para mergulhar, desde que estejam com a saúde em dia e sigam as recomendações específicas para este esporte.
O pontos positivo desse esporte é a melhora da capacidade cardiorrespiratória, muscular e mental
Contraindicação
Se os resultados dos exames não forem dos mais animadores, nem sempre isso significa que não será possível mergulhar. Em todos os casos, a avaliação médica separa os pacientes que nunca poderão mergulhar daqueles que poderão depois do tratamento recomendado. “Não há como definir quem pode ou não praticar o mergulho antes de passar por uma avaliação especializada. Tudo vai depender do exame individual”, diz a fisiatra.
Alguns problemas de saúde são impeditivos para a prática do mergulho, pois podem resultar em acidentes para o mergulhador. Entre os principais estão: cardiopulmonares, obesidade, sensibilidade nos tímpanos, diabetes, histórico de convulsões, síncope, psicose, ansiedade e depressão grave, claustrofobia, pânico, fraqueza muscular, despreparo físico e alterações da consciência e de orientação.
Não há como definir quem pode ou não praticar o mergulho antes de passar por uma avaliação especializada. Tudo vai depender do exame individual
Em alerta
O número de acidentes que ocorrem no mergulho autônomo é insignificante e em boa parte causados pela conduta errada do mergulhador. Por isso, vale procurar uma escola credenciada, de preferência com indicações, para realizar o treinamento. Também é essencial ter em mente que nunca se deve mergulhar sozinho.
Os maiores riscos do mergulho autônomo se referem aos barotraumas – as diferenças de pressão gerada nos pulmões, no sistema digestivo, nos olhos e no nariz. Os sintomas vão de fraqueza a paralisia muscular.
Há, ainda, outros riscos:
- intoxicação pelo oxigênio e narcose pelo nitrogênio, que resulta em estado de entorpecimento;
- doença descompressiva, com lesões em graus variáveis, causada por bolhas de nitrogênio que se expandem no sangue ou nos tecidos do corpo;
- embolia gasosa, que é a obstrução de vasos por bolhas de ar na corrente sanguínea.
“Estas últimas podem ocorrer quando o mergulhador sobe à superfície rapidamente e não realiza manobras específicas para equilibrar a pressão interna e a externa em seu organismo”, alerta a dra. Rebeca.
Outro problema comum é a dor de cabeça causada pela respiração incorreta do mergulhador. Para melhorar, basta respirar mais rápido. Caso a dor não passe, o melhor é voltar ao barco e deixar o mergulho para outra hora ou mesmo outro dia. “O mergulhador está sujeito também a cãimbras. Nesse caso, deve-se puxar a nadadeira para frente, como se fosse o próprio pé, e voltar para a embarcação. É bem provável que a dor muscular intensa resulte de equipamento inadequado, como roupas e nadadeiras apertadas”, avisa Clécio Mayrink.
Conselhos de especialistas
Para um mergulho seguro, a preparação começa antes de entrar na água.
Algumas dicas e curiosidades são essenciais para aqueles que querem praticar tanto a modalidade autônoma quanto a livre:
- Antes de iniciar a prática do mergulho – se for a modalidade autônoma – faça curso em escola credenciada para aprender os princípios básicos.
- Quando estiver na água, siga as regras de mergulho. Caso contrário, poderá ter problemas.
- Não esqueça de levar todos os itens do material básico para mergulho livre e autônomo, como snorkel ou cilindro de oxigênio, máscara e nadadeiras;
- Antes de mergulhar, faça uma revisão de todo o equipamento;
- Nunca mergulhe sozinho;
- Nunca mergulhe resfriado;
- Durante o mergulho não deixe de acompanhar a direção, a profundidade, o tempo e o suprimento de ar;
- Planeje sempre o mergulho;
- Não entre na água se estiver se sentindo cansado ou com mal-estar;
- Suba devagar;
- Mantenha em dia os exames médicos;
- O tempo médio de um mergulho é entre 40 minutos e 1 hora;
- Para mergulhos noturnos, é preciso ter feito o curso avançado e estar acompanhado de um instrutor;
- Para aqueles que preferem o mergulho livre, além de seguir essas dicas, é preciso fazer curso de mergulho em apneia e treinar em piscina, antes de ir para o mar.
Publicada em março/2009
Atualizada em novembro/2009
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