Circo: saúde e lazer
O picadeiro está montado. A lona colorida cobre o espaço tomado por diferentes aparelhos. Mas não é dia de espetáculo. Em vez de holofotes, maquiagem e figurino, o circo está pronto para receber os alunos que praticam aulas das mais variadas modalidades vistas nas tradicionais apresentações.
Para os adultos, é uma maneira divertida de manter a forma, ganhar força e relaxar. Esse público tem trocado os exercícios repetitivos das academias por atividades circenses, que trabalham o corpo com movimentos inusitados, favorecendo ainda o equilíbrio e a flexibilidade. Para as crianças, é um meio de treinar também a coordenação motora e a criatividade.
De acordo com dr. Mário Sérgio Rossi Vieira, médico do esporte e fisiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, as diversas modalidades praticadas nesse ambiente aliam o componente lúdico à atividade física. “Quando personalizadas segundo a capacidade física de cada um, podem atuar como estímulos positivos para a saúde física e mental”, afirma.
De fato, os aparelhos da arte circense exigem força, equilíbrio, resistência e concentração. E todos trabalham alguma parte do corpo. A cama elástica, por exemplo, exercita as pernas; o trapézio desenvolve a força nos braços; o aparelho tecido, em que a pessoa precisa se enrolar no pano para praticar os movimentos a certa altura, contempla músculos dos membros inferiores e superiores e do abdome.
“Entre os benefícios, as aulas colaboram para a manutenção da boa forma muscular e das funcionalidades físicas, ajudam no controle da pressão arterial e aumentam os níveis do bom colesterol, reduzindo os riscos de doenças cardiovasculares”, diz César Augusto da Silva, fisioterapeuta do Einstein. “Além disso, fazem bem aos ossos, com diminuição das probabilidades de fraturas e prevenção à osteoporose.”
Cuidados na prática das atividades
Como qualquer outra atividade física, as aulas de circo devem ser praticadas em uma escola séria e orientadas somente por profissionais experientes. Rejane Vargas, coordenadora da Academia Brasileira de Circo, afirma que, independentemente da modalidade, os primeiros 20 minutos de aula são dedicados ao alongamento e ao condicionamento físico, a fim de aquecer o corpo, e os últimos 10 minutos, ao relaxamento. “Isso é importante porque muitos dos exercícios solicitam componentes do aparelho locomotor, como músculos, tendões e ligamentos, que normalmente não estamos habituados a utilizar, o que pode predispor a lesões”, adverte o médico fisiatra. “Há ainda a preocupação com as atividades de risco, em função da altura: todas contam com colchões de proteção e cintos de segurança”, completa Rejane.
“Entre os benefícios, as aulas colaboram para a manutenção da boa forma muscular e das funcionalidades físicas, ajudam no controle da pressão arterial e aumentam os níveis do bom colesterol, reduzindo os riscos de doenças cardiovasculares”
Outro cuidado essencial diz respeito aos limites de cada um. A prática excessiva e desregrada é sempre prejudicial e pode levar a lesões por esforço repetitivo, a chamada síndrome de overuse. Entre as crianças, as consequências podem ser ainda mais graves. Caso as placas de crescimento – localizadas nas extremidades dos ossos – sofram impactos decorrentes de exercícios repetitivos ou com sobrecarga, pode ocorrer a desaceleração do crescimento ósseo.
Quem pode praticar
A partir dos 6 anos, as crianças já podem ter aulas de circo. O estímulo multidimensional – físico, mental e social – promovido pelos exercícios contribui para o desenvolvimento neuropsicomotor e para a desenvoltura dos pequenos. “Quanto mais cedo a atividade física for inserida na rotina do praticante, maior disposição ele terá para se manter ativo na terceira idade e protegido de doenças futuras”, afirma César Augusto..
Jovens e adultos que nunca praticaram esse estilo de exercício, por sua vez, podem começar a qualquer momento. A união de atividade física, concentração mental e estímulo à criatividade em um ambiente mais leve serve como uma válvula de escape para as tensões cotidianas, proporcionando uma sensação de bem-estar e prazer.
Dicas para iniciantes
Como as demais atividades, é importante procurar especialistas da área da saúde, como médico do esporte, clínico geral, cardiologista, nutricionista, fisioterapeuta, antes de iniciar o treino. É preciso, por meio de um checkup, verificar se a prática escolhida é compatível com a condição física. Durante as aulas, os professores devem oferecer atenção individualizada ao praticante, para que as atividades progridam com cuidado e proporcionalidade. E, caso venha a surgir qualquer tipo de dor, deve-se procurar um médico.
Publicada em setembro / 2009
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