O termo leucemia refere-se a um grupo de doenças complexas e diferentes entre si que afetam a produção dos glóbulos brancos também chamados leucócitos células responsáveis pela defesa do organismo. "Eles crescem de forma anormal e maligna. É como se fosse um câncer do glóbulo branco", afirma Nelson Hamerschlak, hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein e responsável pela Unidade de Transplante de Medula Óssea.
Esses glóbulos doentes passam a se multiplicar, perdem suas funções e prejudicam o funcionamento dos glóbulos vermelhos, encarregados do transporte de oxigênio, e das plaquetas, responsáveis pela coagulação do sangue.
Para descobrir se a pessoa tem leucemia, primeiro ela é avaliada do ponto de vista clínico. "Ela pode chegar ao médico com queixas de cansaço, febre e manchas pelo corpo, que são sintomas decorrentes do avanço das células doentes dentro da medula óssea, nossa fábrica de sangue", diz o Dr. Nelson.
Com isso, a produção das células normais é inibida e surge a anemia, por isso o cansaço e a sonolência. "O paciente pode ter infecção porque a quantidade de glóbulos brancos diminui; também pode ter sangramentos devido à baixa quantidade de plaquetas", completa o médico.
O primeiro exame que se faz quando há suspeita de leucemia é o hemograma, que avalia as células sanguíneas. "Se for constatada alteração, é obrigatório que o indivíduo faça exames na medula óssea, para confirmar a doença e determinar o tipo de leucemia o que, por sua, vez definirá o tratamento a ser seguido", afirma o hematologista do Einstein.
Tipos de leucemia
Existem diversas formas de leucemia, mas as principais são classificadas em quatro categorias:
- leucemia mieloide aguda (LMA)
- leucemia mieloide crônica (LMC)
- leucemia linfoide aguda (LLA)
- leucemia linfoide crônica (LLC)
Os termos mieloide e linfoide indicam a linhagem do glóbulo branco. "As leucemias agudas são casos abruptos, que requerem tratamento imediato e as leucemias crônicas, têm uma evolução bem mais lenta, com tratamento mais brando ou, às vezes, nem precisa de tratamento", explica o Dr. Nelson. Além dos quatro principais tipos, há vários subtipos.
Em 2010 o Einstein completou 23 anos como centro transplantador, com resultados semelhantes aos dos principais serviços do mundo
Em crianças, a leucemia mais frequente é a aguda do tipo linfoide. "Isso é uma constatação. A leucemia linfoide aguda tem dois picos de incidência: um na infância e outro quando o indivíduo é idoso", diz o médico.
É bom lembrar que não há como prevenir nem diagnosticar precocemente a leucemia. Os casos crônicos, às vezes, não são nem acompanhados por um quadro clínico. "O indivíduo faz um checkup, é detectada uma alteração no sangue, mas ele não tem sintoma algum", diz o Dr. Nelson.
De acordo com o hematologista, a leucemia é relativamente rara. "A incidência de todos os tipos somados está em torno de 4 casos por 100 mil habitantes", afirma.
Tratamento
No passado, a doença era quase sempre fatal. "Hoje se cura grande parte das leucemias. Como cada caso é um caso, o paciente deve procurar orientação médica específica sobre o tipo da doença que o aflige", aconselha o dr. Nelson.
Cada tipo de leucemia tem um tratamento:
- Leucemias agudas: inicialmente o paciente faz quimioterapia. Depois, se necessário, indica-se o transplante de medula óssea.
- Leucemia linfoide crônica: costuma aparecer mais em idosos e, normalmente, não precisa ser tratada por ser assintomática; ou é tratada com quimioterapia ou imunoterapia, se houver sintomas ou aumento muito grande da quantidade dos glóbulos brancos.
- Leucemia mieloide crônica: foi o primeiro tipo em que a ciência determinou que um fator genético não hereditário era o causador da doença. "Ela é tratada por uma medicação chamada de terapia-alvo: a pessoa toma um comprimido por dia que age diretamente no alvo, corrigindo o defeito genético", explica o hematologista.
Você também pode gostar de:
O transplante de medula é feito em casos de prognóstico ruim ou nos casos em que a doença volta depois do primeiro tratamento. Esse procedimento é bastante seguro e tem ótimos resultados.
"Em 2010 o Einstein completou 23 anos como centro transplantador, com resultados semelhantes aos dos principais serviços do mundo", comemora o médico.
Geralmente a primeira busca por doador se faz na família. Segundo o médico, quando não se encontram doadores nessa condição, há duas alternativas. "Uma é buscar no registro de doadores. Existem mais de 10 milhões de pessoas inscritas no mundo todo, sendo que só no Brasil são mais de 1 milhão de cadastrados. A outra opção são os bancos de cordão umbilical, uma vez que a célula do cordão também serve para transplante de medula óssea", informa o hematologista do Einstein.
Publicada em 2007
Atualizada em junho/2010