Todo mês é a mesma história: cólicas, inchaços, irritabilidade, tristeza profunda, alterações na libido, sentimento de amor e ódio com o espelho... Estes são sintomas do ciclo menstrual feminino. E não há mulher que afirme que essa mistura de sensações seja uma tarefa fácil.
Na adolescência, ocorrem as transformações hormonais no corpo da menina que irão resultar na menstruação (a primeira é conhecida como menarca). É quando tem início a puberdade. De acordo com o Dr. Nilson Abrão Szylit, ginecologista do Einstein, o ciclo menstrual é determinado pela produção hormonal da mulher, que tem início no primeiro dia de menstruação e termina no dia anterior ao da menstruação seguinte.
“De maneira geral, o ciclo menstrual dura 28 dias, mas podemos dizer que a variação entre 25 e 35 dias é considerada normal. Existem ciclos maiores ou menores e outros irregulares. Nos primeiros ciclos, essa irregularidade pode ser frequente, com quantidade e duração de fluxo variando de mês a mês”, explica o médico.
Fases do ciclo menstrual
Tudo começa no cérebro – hipotálamo –, onde hormônios estimulam a glândula hipófise. Esta glândula produz os hormônios luteinizante (LH) e folículo estimulante (FSH), responsáveis, respectivamente, pela ovulação e por estimular o crescimento dos folículos dos ovários.
Esses folículos são os responsáveis pela produção de estrógeno, que estimula o crescimento das células do endométrio (parede interna do útero). Aqui, o útero está sendo preparado para receber o óvulo fecundado, chamado de blastocisto e, mais tarde, de embrião. Se a mulher engravidar, o endométrio será a fonte de sustentação para o embrião.
“Apenas um folículo ovariano, dentre vários que a mulher possui, se desenvolverá e liberará um óvulo para ser fecundado. Se levarmos em conta um ciclo de 28 dias, então no 14º dia ocorre a ovulação, processo de liberação do óvulo pelo ovário que irá seguir o caminho pela trompa para a fecundação”, explica o Dr. Szylit.
Após a ovulação, há a formação do corpo lúteo, que é responsável pela produção de progesterona. Esta, em conjunto com o estrógeno, prepara a mulher para a gravidez. Nesta fase, conhecida também como fase lútea, há uma queda da quantidade de estrogênio e elevação da produção de progesterona. É nesta fase que aparecem os sintomas da famosa TPM. Uma das grandes responsáveis pela tensão pré-menstrual, além de fatores alimentares, emocionais e ambientais, é a progesterona.
“A progesterona pode provocar inchaços e sintomas como irritabilidade, depressão, agressividade, compulsão por alimentos doces, dores nas mamas (com aumento de volume) e acne. A TPM – Tensão Pré-Menstrual - surge na segunda metade do ciclo menstrual, quando a progesterona ainda está presente, e assim que a mulher menstrua, some. Nesta fase é importante a prática de exercícios físicos, boas noites de sono, alimentação saudável e evitar estresse para que estes sintomas sejam mais amenos”, afirma o ginecologista.
Atualmente, para as mulheres que possuem uma TPM muito forte e que têm suas atividades diárias comprometidas pelas oscilações hormonais, existem diferentes tratamentos médicos com resultados satisfatórios. O Dr. Nilson Szylit aconselha, nestes casos, que a paciente converse com seu ginecologista para saber qual tratamento é mais aconselhável ao seu caso.
Se não ocorrer fecundação, o óvulo se desintegra. Além disso, o corpo lúteo regride, fazendo com que a produção de estrogênio e progesterona caia. Isso provoca o descamamento do endométrio, que é eliminado em forma de sangue, o que chamamos de menstruação. Esta pode vir acompanhada de cólicas intensas, também chamadas de dismenorreia.
E aí começa tudo novamente: variações hormonais, ovulação, possível TPM, mudanças de humor. Até que um dia, a mulher entra na fase do climatério (que precede a menopausa), na qual o corpo feminino irá passar por outras transformações hormonais, com o encerramento gradual da produção de estrogênio pelos ovários.
De acordo com o ginecologista, a menopausa tem início após a última menstruação. O climatério vem acompanhado de sintomas como fluxo menstrual irregular, eventualmente mais intenso, e intervalos longos ou curtos entre os sangramentos. Outros sinais são ondas de calor e suores noturnos. Na menopausa, em função da pouca quantidade de estrogênio, ocorre o ressecamento vaginal, que pode contribuir para a redução do desejo sexual. “É preciso ficar atenta a esta fase. É aqui que existe o aumento do risco de doenças cardiovasculares e de osteoporose”, finaliza o Dr. Nilson Abrão Szylit.
Publicada em janeiro/2012.