Quem nunca ouviu o velho ditado “Melhor prevenir do que remediar?” O fundamento dessa máxima é 100% correto. A tendência natural da maioria das pessoas é só procurar um médico diante de uma dor súbita ou de um sintoma difícil de passar. Ou seja, quando algum distúrbio já se instalou. O certo, porém, é o inverso dessa situação.
“Faz parte do conjunto de regras saudáveis a visita frequente ao médico para manutenção da saúde e prevenção de doenças, por meio de um checkup”, afirma o dr. Jairo Roberto Neubauer Ferreira, médico cardiologista do Centro de Medicina Preventiva do Hospital Israelita Albert Einstein.
Propósito do checkup: fazer uma avaliação da pessoa assintomática, em busca de doenças silenciosas
Para confirmar a tese, basta pensar na rotina de um bebê. Mesmo estando absolutamente saudável, ele é levado ao pediatra todos os meses, no primeiro ano de vida. Nesse caso, os pais estão preocupados com a saúde da criança e querem se certificar de que seu desenvolvimento está dentro dos parâmetros normais. Essa rotina muda a partir do segundo ano de vida, quando as consultas se tornam mais espaçadas, mas ainda permanecem na agenda da criança. E isso se repete por muitos anos. E assim deveríamos proceder por toda a vida, do pediatra ao geriatra.
Fatores de risco e histórico familiar
Este é o propósito do checkup: fazer uma avaliação da pessoa assintomática, em busca de doenças silenciosas ou fatores que possam vir a prejudicar sua saúde. O primeiro passo é a consulta com um clínico. A partir do histórico familiar, dados pessoais, medicação habitual e medição da pressão, o médico prescreve exames e medicamentos, se forem necessários. Essa análise detalhada visa detectar precocemente males que, depois de instalados, podem se tornar crônicos ou de difícil cura. O diabetes, por exemplo, pode ser prevenido a partir de indícios como casos na família, excesso de peso, gordura abdominal aumentada e sedentarismo. O mesmo ocorre com os problemas cardiovasculares, sobretudo se o pai sofreu infarto antes dos 55 anos ou a mãe antes dos 65.
Faz parte do conjunto de regras saudáveis a visita frequente ao médico para manutenção da saúde e prevenção de doenças, por meio de um checkup
Dependendo da predisposição familiar ou pessoal a determinadas doenças, o hábito da avaliação preventiva de saúde deve começar na infância – quando não existem fatores de preocupação – ou na adolescência. “A partir dos 20 anos, pode-se dar início a esse processo, para verificar eventuais alterações no organismo e educar a pessoa desde cedo”, afirma o dr. Jairo.
Cada idade uma preocupação
Educar, nesse caso, significa evitar hábitos danosos que, em geral, são desenvolvidos na adolescência, fase em que os jovens costumam acreditar que a saúde é um bem eterno. “Uma pessoa que desde cedo não se alimenta direito, é sedentária e tabagista, por exemplo, com certeza corre risco maior de desenvolver uma doença cardiovascular do que se levasse uma vida saudável”, alerta a dra. Érika Amarante, do serviço de medicina preventiva da Unidade Jardins. “Aliás, doenças como as cardiovasculares, se iniciam nessa faixa etária”, reforça o dr. Jairo. “Além disso, a preocupação é com carências de vitaminas, de ferro e com as parasitoses.”
Caso o adolescente tenha boa alimentação, seja ativo e não apresente problemas na primeira consulta, deve retornar ao clínico aos 21 anos. A partir dessa idade, o adulto deve fazer avaliações preventivas de saúde a cada dois anos. Por volta dos 45 anos, os exames se tornam mais numerosos e o espaçamento entre eles começa a se reduzir e, aos 55, se tornam anuais. “É importante estar ciente, porém, de que essas são idades e períodos relativos. Por isso é essencial a consulta com um clínico, para avaliar detalhadamente as necessidades de cada pessoa”, conclui o cardiologista do Einstein.
Setembro / 2009