Gravidez e Bebê

Congelamento de óvulos facilita gravidez no futuro

Período mais fértil da mulher vai até os 30 anos; técnica oferece mais garantia para engravidar tardiamente

Congelamento de óvulos facilita gravidez no futuroAs mulheres que adiam a gravidez – por causa da profissão, da busca por um parceiro ou por outras questões pessoais – mas que, ainda assim, pretendem ter filhos no futuro, podem contar com a tecnologia de congelamento de óvulos para facilitar a sua fertilização quando chegar a hora.

"A fase ideal para engravidar é entre os 25 e 30 anos, período mais fértil e com mais chances de ter filhos. A partir desta idade, a mulher já começa a produzir menos óvulos. E, portanto, é recomendável que, se ela pensa em engravidar algum dia, comece também a pensar no congelamento dos seus óvulos", aconselha o ginecologista do Einstein, Dr. Mariano Tamura.

A vitrificação

Há mais ou menos 30 anos, na Inglaterra, nasceu a primeira criança proveniente de uma fertilização in vitro (técnica conhecida como proveta). A partir daí, os tratamentos de fertilização assistida têm avançado bastante e de forma bem rápida, beneficiando cada vez mais mulheres (e também homens) com dificuldade para engravidar.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o primeiro caso de gravidez com óvulo congelado ocorreu em 1986. No Brasil, este procedimento vem sendo feito com mais segurança e, consequentemente, maior sucesso a partir de 2008.

Conhecido como vitrificação, o congelamento de óvulos consiste no armazenamento destas células para, depois, serem fertilizadas em laboratório. Os óvulos são congelados em nitrogênio líquido e guardados em recipientes com isolamento térmico.

Nesta técnica, o ovário da mulher é estimulado por medicamentos para que produza uma quantidade extra de óvulos. Após este processo, eles são extraídos com uma agulha e tratados para serem congelados rapidamente e armazenados pelo tempo que for necessário.

Quando a mulher estiver disposta a ser mãe, os óvulos serão descongelados e fertilizados in vitro, por meio da ICSI (técnica de fertilização em que se injeta um único espermatozóide no óvulo). Após a formação dos embriões, eles serão implantados no útero da mãe.

"Contudo, a certeza de gravidez só pode ser confirmada após os testes laboratoriais, que serão feitos após duas semanas da transferência dos embriões", afirma o Dr. Mariano Tamura, ginecologista do Einstein.

Por que congelar os óvulos?

A mulher nasce com uma média de 2 milhões de óvulos imaturos, e já na primeira menstruação (menarca), este número diminui para 400 mil. Durante a fase reprodutiva, todo mês, mais ou menos mil óvulos são recrutados durante o momento reprodutivo, porém apenas um óvulo terá o seu amadurecimento completo. Resultado, 999 óvulos são perdidos todo mês, o que significa um déficit de 12 mil por ano.

"Com o passar do tempo, pouquíssimos óvulos serão capazes de serem fertilizados. Ou seja, a reserva ovariana vai diminuindo ao longo da vida", explica o ginecologista.

Indicações para o congelamento

Atualmente, a mulher adia cada vez mais seus planos de gravidez para se dedicar à profissão. Contudo, as mudanças biológicas não acompanham as mudanças sociais. Então, porque não manter a fertilidade "no gelo" e decidir o momento certo para ter filhos?

Outra situação que reduz a reserva ovariana feminina e na qual o processo de vitrificação é aconselhado é quando a paciente foi diagnosticada com câncer e será submetida a tratamentos oncológicos, como quimioterapia e/ou radioterapia na região pélvica. Neste caso, a retirada dos óvulos para o congelamento tem que acontecer antes do início do tratamento, caso seja comprovado que estas células não estão completamente afetadas pela doença.

"Vale ressaltar que na vigência do tratamento de câncer não se pode fazer de maneira nenhuma a estimulação hormonal, pois corre o risco de aumentar também a produção de células doentes", esclarece o médico.

Mulheres que irão passar por cirurgias em que será retirada parte do tecido ovariano (por exemplo, cirurgias de endometriose), também podem utilizar esta técnica para preservar o seu desejo de engravidar, assim como aquelas com histórico de menopausa precoce na família.

"Em relação ao risco de aborto, a regra ainda é a mesma das mulheres que engravidam de modo natural, quanto maior a idade, maior o risco. Já para os casos de gravidez múltipla, a tática para evitar ou diminuir a incidência é restringir o número de embriões transferidos para a mulher", explica o Dr. Tamura.

Evoluções no tratamento e resultado

Segundo o Dr. Mariano Tamura, antes dos anos 2000, os óvulos congelados muitas vezes perdiam qualidade por serem armazenados de uma forma ainda não tão adequada, resultando em problemas de cristalização na hora do descongelamento. Hoje, a medicina reprodutiva está conseguindo excelentes resultados, graças a vários aperfeiçoamentos que foram realizados em todo o processo.

De acordo com dados da SBRH, se há 30 anos eram perdidos 90% dos óvulos, atualmente, este número caiu para 10%. Além disso, a chance de a mulher engravidar é de 30% a 40%.

"O estímulo hormonal feito no tratamento de mulheres que querem congelar seus óvulos é bem mais suave hoje em dia, com dosagens mais precisas, interferindo muito menos na saúde delas. Um ponto interessante é que uma mulher de 40 anos, que congelou seus óvulos com 30, vai ter uma gravidez com um óvulo mais jovem, pois depois do congelamento, os óvulos não envelhecem", finaliza o médico.

Publicada em outubro/2011.


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