Cinco novas pessoas infectadas para cada duas que iniciam o tratamento.
Boas notícias sobre a Aids surgiram em 2009 e merecem ser comemoradas. A principal delas é a descoberta de uma possível vacina contra o HIV
Mas atenção: os números de novos casos continuam crescendo e um dos maiores desafios das nações é aumentar a testagem. Milhões de pessoas em todo o mundo convivem com o vírus sem nunca terem se submetido ao exame de HIV. Elas desconhecem, portanto, a sua condição soropositiva. E sem os cuidados preventivos, tendem a continuar disseminando o vírus.
Somente no Brasil, segundo informações do Ministério da Saúde, dos 630 mil portadores do vírus HIV, 255 mil estão infectados e não sabem. Estima-se 33 mil novos casos de contaminação por ano. No mundo, de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), o número de infectados continuou crescendo em 2008 - 2,7 milhões de novos casos, atingindo a marca estimada de 33,4 milhões de pessoas. Dessas, a maioria não sabe que porta o vírus. São cerca de cinco novas pessoas infectadas para cada duas que iniciam o tratamento.
Jovens e mulheres
Nos últimos anos, as estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam para uma diminuição da faixa etária de pessoas infectadas e o aumento do número de casos entre as mulheres. Nos anos 80, existia uma mulher infectada para cada 50 homens infectados. Nos 90, o índice saltou de uma mulher para cada 10 homens. Hoje, o número de mulheres com o vírus da AIDS é praticamente o mesmo que o de homens infectados. No Brasil, 1/3 dos novos casos são diagnosticados entre pessoas com menos de 25 anos. E de 10 a 15% dos novos casos são de jovens menores de 20 anos.
Pobreza
As regiões mais pobres têm sido as mais afetadas pela disseminação do HIV. Atualmente, 90% dos novos casos mundiais acontecem no continente africano. No Brasil, a tendência é que os novos casos continuem crescendo em regiões como Norte e Nordeste.
Apesar disso, há uma boa notícia: mais de quatro milhões de pessoas, em países de rendas baixa e média, estavam em terapia antirretroviral no final de 2008, representando um aumento de 36% em apenas um ano e um aumento de 100% em cinco anos, de acordo com um recém-publicado relatório da OMS, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Unaids.
Tratamentos
Existem hoje 32 tipos de medicamentos utilizados para controlar o avanço da doença no organismo. Desses, 27 são distribuídos no Brasil, gratuitamente.
Normalmente, a cada etapa do tratamento, o paciente recebe uma combinação de três desses remédios. Por essa combinação é que os medicamentos contra HIV/Aids passaram a ser chamados popularmente de coquetéis. Sua eficácia é comprovada pela crescente sobrevida dos pacientes nos últimos anos. Apesar disso, o grande desafio dos médicos é reduzir os seus efeitos colaterais, que podem ser bastante nocivos aos pacientes.
Por esse motivo, existe hoje uma grande polêmica sobre quando iniciar o tratamento. Como na maioria das doenças, muitos profissionais acreditam que o tratamento é mais efetivo quanto mais cedo for iniciado. No caso do HIV, se a carga viral do paciente estiver baixa e ele ainda não apresentar sintomas de infecção, ou seja, da manifestação da Aids como doença, alguns médicos preferem retardar o tratamento antiviral e, consequentemente, seus efeitos colaterais.
Sabe-se que, por exemplo, os pacientes que tomam a medicação apresentam 10% mais chances de desenvolverem algum problema cardíaco ou doença renal. Além disso, tendem a acumular gordura - em regiões como abdome e mama, e a perder gordura na face, nas coxas e nas nádegas. A esse fenômeno de redistribuição de gordura no corpo dá-se o nome de lipodistrofia.
De acordo com o infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Artur Timerman, a Aids está numa fase em que a descoberta de novas drogas é menos importante do que o manuseio correto dos medicamentos já existentes. “Os medicamentos que temos à disposição hoje são excelentes no combate ao avanço da doença no organismo. O nosso maior desafio ainda é conseguir combinar os medicamentos e o tratamento de forma a reduzir os seus efeitos colaterais”, explica.
De acordo com o médico, o paciente deve estar bem preparado por uma equipe multidisciplinar para iniciar o tratamento. “Por enquanto, seu compromisso é o de tomar a medicação corretamente pelo resto da vida. Além disso, e até mesmo para conter os danos dos efeitos colaterais, uma vida mais saudável, sem cigarro e álcool, com alimentação balanceada e exercícios físicos, é fundamental para se ter qualidade de vida”, afirma o infectologista do HIAE.