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Saúde pública entra em alerta para casos de sarampo no Brasil

A notícia de que o vírus do sarampo estaria novamente circulando pelo Brasil colocou em alerta as autoridades de saúde do País.

Os recentes casos da doença registrados, no início de agosto, fizeram com que o Ministério da Saúde divulgasse nota à imprensa tranquilizando a população brasileira. Os casos de sarampo investigados apontam que todos são pacientes que foram infectados fora do País ou contaminados por estrangeiros que vieram ao Brasil.

No Pará, três pessoas da mesma família teriam ‘importado’ a doença, pois não haviam sido vacinados contra o sarampo. Já no Rio Grande do Sul, dois irmãos apresentaram os sintomas – e também não haviam recebido a vacina por serem alérgicos a ovo - provavelmente trouxeram o vírus de Buenos Aires, onde estiveram no final de julho. Na capital da Argentina foram confirmados casos da doença em pessoas que estiveram em viagem recente ao continente africano.

Características da doença

O sarampo tem um período de incubação de 10 a 14 dias, após o contato com alguém doente. Começa com febre, falta de apetite, conjuntivite e tosse. Logo depois aparecem manchas brancas dentro da boca e na face interna das bochechas. Estas manchas são características do sarampo. "Segue-se uma erupção na pele - uma porção de manchas vermelhas - que se iniciam na face e progridem em direção aos braços e pernas", explica o infectologista do Einstein, Dr. Jacyr Pasternak.

"A erupção dura até 5 dias e, nesta fase, o paciente tem mais febre e se sente pior. Assim que a erupção começa a desbotar o paciente se sente melhor e a febre cai, a menos que tenham ocorrido complicações da doença. A doença do começo ao fim dura mais ou menos 10 dias e o último sintoma que some é a tosse" explica o médico.

Complicações

O sarampo é uma doença cujas complicações podem ser sérias. A mais comum é a pneumonia, que pode ser causada pelo próprio vírus do sarampo ou por infecção bacteriana que se aproveita da lesão do vírus no brônquio para se instalar; esse é o motivo que mais matava crianças antes da implementação da vacina: 60% das mortes atribuídas ao sarampo tinham esta causa e 40% ocorriam por conta de encefalite.

"Também existem encefalites relacionadas ao sarampo: a encefalite aguda, que ocorre na fase inicial do sarampo ou até 25 dias após a doença e uma doença crônica de evolução inexorável pelo menos com os recursos que temos hoje, que ocorre anos depois do sarampo, com a persistência do vírus no sistema nervoso central. Este é um excelente motivo para vacinar contra o sarampo, já que esta doença não tem tratamento", explica o Dr. Jacyr.

Situação da doença no Brasil

No Brasil, o sarampo é uma doença de notificação compulsória desde 1968. As Doenças de Notificação Compulsória (DNC) são selecionadas por uma série de critérios como potencial de disseminação, vulnerabilidade, disponibilidade de medidas de controle, compromisso internacional com programas de erradicação, entre outros.

Na década de 1970, as epidemias chegaram a acometer de 2 a 3 milhões de crianças. Até 1992, o País enfrentou dez epidemias, sendo uma a cada dois anos, em média. A última grande epidemia ocorreu em 1997, com aproximadamente 50 mil casos. Após a implantação do Plano de Erradicação do Sarampo, em 1999, o número de casos autóctones (ou seja, natural da região onde foi encontrado) confirmados foi reduzido de 908 para zero em 2001. Em 2000, ocorreu o último surto de sarampo no País, no Acre, com 15 casos. Em novembro do mesmo ano foi registrado o último caso autóctone, no Mato Grosso do Sul. O controle da doença também diminuiu o número de óbitos por sarampo. Em 1980, ocorreram 3.236 mortes. Em 1999, foram notificados os últimos dois óbitos por sarampo no País, graças à interrupção do ciclo de transmissão da doença, que por sua vez foi uma decorrência da melhoria dos níveis de vacinação da população brasileira.

Para que o Brasil continue sem transmissão autóctone do sarampo, é importante a manutenção de altas e homogêneas coberturas vacinais na população infantil e a vacinação dos indivíduos adultos que pertencem aos grupos de risco, como as grávidas, pessoas que não tenham recebido a vacina e os imunodeprimidos.

Publicado em setembro/2010


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