Encontrada em múmias do antigo Egito, a tuberculose há milênios assola o mundo. A doença que acometia artistas, escritores, poetas e boêmios no século passado, atualmente revela dados preocupantes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2 bilhões de pessoas estão infectadas com a bactéria da tuberculose – nem todos desenvolvem a doença. E mais: a OMS alerta que se não houver esforços para controlar a epidemia, estima-se que em 2.020 o problema acometa mais 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo.
Segundo o dr. Davi Salomão Lewi, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), a retomada da incidência de tuberculose no mundo tem como fator principal a Aids. E embora a doença possa se localizar em várias partes do corpo como olhos, rins e ossos, apenas quando afeta o pulmão é contagiosa.
“Antes da década de 80, foram desenvolvidos tratamentos e até vacina. Com isso, houve um controle maior da tuberculose. Mas nesse período surgiu a aids, que deixa as pessoas mais suscetíveis à doença e agravou sua incidência, que passou de pessoa para pessoa, de país para país”, analisa.
Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, a tuberculose é transmitida pelo ar. A contaminação é feita quando o paciente tosse, fala ou espirra. Os principais sintomas são: tosse com catarro, febre persistente principalmente no período da tarde e da noite, suor noturno e emagrecimento. Caso esses sinais persistam por cerca de três semanas, é aconselhável procurar o médico.
Para diagnosticar a doença, é realizada a radiografia para detectar indícios como as lesões em forma de cavidade – chamadas cavernas – formadas no pulmão, além do exame para verificar o catarro expelido. Com o tratamento levado a sério, os dias de mal-estar estão contados.
Combate à bactéria
No início do século XX, não se sabia ao certo como tratar o problema. Crenças como respirar o ar puro e viver no clima serrano, como o de Campos do Jordão, no interior paulista, eram levadas a sério. Na década de 40, aparecia o primeiro tratamento à base de antibióticos: a estreptomicina, que mostrou-se como grande avanço, mas nem todos respondiam positivamente ao seu uso.
Entre 1950 e 1960, foi criado o esquema tríplice quimioterápico. Essa inovação da época é utilizada até hoje no combate à doença. O tratamento tem duração de seis meses. Nos dois primeiros, são tomados três remédios. E nos meses seguintes, dois quimioterápicos associados de manhã em jejum. O importante é respeitar os horários, a frequência e período estipulados pelo médico para usar os medicamentos.
De acordo com o dr. Lewi, dessa forma, a bateria de medicamentos não permite a resistência da bactéria. “O coquetel é mais fácil de ser ingerido e o tratamento, se comparado ao de outras doenças, é de curta duração”, explica. Boa alimentação também é essencial para auxiliar na recuperação, pois diminui o risco de adoecer e aumenta a possibilidade de cura.
Os mais propensos a ter a doença são os idosos, crianças, diabéticos, usuários de drogas ilícitas e de álcool, pacientes desnutridos e com Aids. A adesão ao tratamento é baixa, principalmente nos dois últimos grupos citados anteriormente. Sendo assim, a bactéria fica multirresistente, mais difícil de ser tratada e a pessoa continua transmitindo a doença. Nesses casos, é necessário acompanhar o tratamento desses pacientes.
Prevenção, sempre
O Calendário Básico de Vacinação prevê a obrigatoriedade da vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin), desenvolvida a partir da bactéria atenuada. Com um mês de vida o bebê recebe a vacina, que impede a infecção e o desenvolvimento da doença.
Após a aplicação, é normal que apareça um pequeno caroço avermelhado entre duas e seis semanas, deixando uma pequena cicatriz. Em adultos, a prevenção não é recomendada. Entretanto, ainda há debates em relação à sua eficácia. Para quem mora com uma pessoa doente, a recomendação é manter a casa sempre limpa, ventilada e com luz do sol.
A favor da população
Diante do cenário de aumento nos índices de tuberculose, o Instituto Israelita de Responsabilidade Social pensou em uma forma de auxiliar na prevenção, diagnóstico e tratamento da tuberculose. Desde 2004, o Programa Einstein na Comunidade de Paraisópolis (PECP) conta com o Programa de Prevenção e Controle da Tuberculose na Criança, o único desenvolvido por instituições privadas.
O objetivo do programa é a investigação de casos suspeitos, o tratamento dos casos confirmados e profilaxia para os casos indicados. Há também a visita domiciliar para investigação e acompanhamento dos casos. Existe a parceria com as Unidades Paraisópolis 1 e 2 para rastreamento de adultos atingidos. “Tratamos e colaboramos no controle de um problema de saúde pública nacional”, enfatiza a dra. Érica Santos, coordenadora médica do PECP.
Publicada em novembro/2007
Atualizada em novembro/2009