Tecnologia e Inovação

Células-tronco para tratar a osteoartrose

À medida que a expectativa de vida cresce em todo o mundo, graças aos avanços econômicos, científicos e tecnológicos, novas necessidades se apresentam. Doenças causadas pelo desgaste do corpo ao longo dos anos exigem pesquisas e soluções, pois longevidade precisa vir acompanhada de qualidade de vida.

Um desses males é a osteoartrose, processo degenerativo das articulações que incide sobre 85% dos brasileiros acima de 75 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. Nos Estados Unidos, alcança 25% dos americanos acima de 60 anos e 50% a partir dos 80. Uma de suas consequências é a rigidez articular e, consequentemente, a limitação da mobilidade, além da dor causada pelo atrito entre os ossos, uma vez que a cartilagem que reveste suas extremidades vai se desgastando com o uso.

Tecido elástico e flexível, essa cartilagem guarda particularidades que talvez sejam as responsáveis pela dificuldade de regeneração. A inexistência de vasos não permite a chegada de sangue para nutrir o tecido e este, por sua vez, conta com pouca quantidade de células, o que impossibilita a multiplicação para produção de nova cartilagem. Dessa forma, o que foi perdido pelo desgaste não pode ser recuperado, pelo menos por enquanto.

Estudo para novo tratamento

Uma alternativa que vem surgindo é o tratamento com células-tronco, aquelas capazes de se transformar em qualquer tipo de célula e dar origem a diferentes tecidos do corpo. No Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP), um grupo de especialistas vem se dedicando a um estudo pioneiro no país: utilizá-las no tratamento e na reconstrução da cartilagem do joelho.

"Já há a comprovação científica de que têm poder anti-inflamatório. Nosso projeto testa a hipótese de serem usadas para diminuir a inflamação e a degeneração da cartilagem decorrente da osteoartrose", explica o dr. Mario Ferretti, ortopedista do Programa Einstein de Ortopedia e Reumatologia e médico pesquisador do IIEP.

Primeiros passos

Do laboratório à chegada do tratamento ao paciente há um longo caminho. Os pesquisadores atuam com hipóteses e é preciso testar todas para ter resultados eficazes. O estudo desenvolvido no IIEP está em testes de laboratório com células, o que os pesquisadores chamam de pesquisa in vitro. Dependendo dos resultados, o próximo passo é o estudo em animais, a pesquisa in vivo, e só então os testes em humanos.

"Já conseguimos diferenciar a célula-tronco do cordão umbilical em célula da cartilagem articular, chamada de condrócito. O passo seguinte é verificar diferenças entre condrócitos de homens e mulheres, pois a osteoartrose é mais comum no sexo feminino", explica o dr. Ferretti.

Segundo o pesquisador, a ideia é que as células-tronco possam diminuir a inflamação articular presente na osteoartrose e também estimular a produção de matriz extracelular, regenerando assim a cartilagem. Embora seja uma doença de difícil tratamento, diante dessa nova possibilidade terapêutica as expectativas são grandes.

Publicada em dezembro/2009


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23/04/2012 10:33:50

walmyr

bom dia! tenho necrose na cabeça do femor ha 15 anos e agora estou com 48 anos, ja nao tenho mais cartilagem, mais ainda consigo suportar as dores as vezes ela e muito forte e outrs vezes e mais fraca.posso ter esperança na ciriurgia de celulas tronco? desde ja obrigada pela atençao

Resposta:

Olá Walmyr, o uso de células tronco ainda não é uma realidade na prática clínica diária. Existem muitos estudos a respeito da sua empregabilidade no tratamento de doenças condrais, porém ainda não há esse tipo de tratamento. Sugerimos uma consulta com um médico especialista em patologias do joelho para uma melhor avaliação do seu caso.

     
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