O Hospital Israelita Albert Einstein realizou recentemente o primeiro transplante de córnea assistido por um laser de última geração, chamado femtosegundo - mais rápido que o nanosegundo - e passará a disponibilizar este tipo de cirurgia também para pacientes do SUS.
O laser femtosegundo é ultra-rápido e aplicado com altíssima potência, permitindo que o corte seja realizado de maneira extremamente focada e com baixa lesão dos tecidos circundantes à área trabalhada.
O novo procedimento já vinha sendo utilizado no Einstein em cirurgias refrativas - que diminuem os graus de miopia, astigmatismo e hipermetropia - e para confecção de túneis na córnea para o tratamento de ceratocone, uma doença genética que evolui e é diagnosticada principalmente na adolescência, fragilizando a córnea e dando-lhe um formato cônico, o que causa grandes distúrbios visuais, além de visão embaçada.
No caso dos transplantes, o grande ganho é que a precisão oferecida pelo laser femtosegundo permite um encaixe mais preciso da córnea doada com a do receptor. Esse encaixe faz com que a área de contato entre os tecidos receptor e doador seja maior, diminuindo o risco de rejeição e garantindo uma recuperação mais rápida.
"É uma inovação. O laser femtosegundo oferece muito mais precisão e previsibilidade, ou seja, além de oferecer mais segurança aos nossos pacientes, conseguimos prever os riscos e os resultados de cada cirurgia antes mesmo da sua realização", explica o médico oftalmologista Dr. Claudio Luiz Lottenberg, presidente do Einstein e cirurgião do primeiro transplante de córnea por laser de femtosegundo do hospital.
Procedimento
Antes da cirurgia, uma análise da córnea do paciente é realizada e alimenta um software que auxilia no planejamento de toda a operação, com foco nos locais exatos onde devem ser realizadas as incisões.
Na cirurgia, além de o médico contar com o mapeamento preciso dos pontos a serem trabalhados com o laser, a rapidez e a potência do equipamento permitem que as incisões sejam realizadas em poucos segundos, praticamente sem riscos.
Durante esses segundos, o olho do paciente é mantido imóvel - por um sistema de vácuo - e o foco da aplicação é coordenado pelo cirurgião mediante o planejamento dos parâmetros da cirurgia. Além de rápido, o procedimento é possível de ser realizado com anestesia por colírio, o que também oferece mais segurança para o paciente, já que não há necessidade de anestesia geral.
Menor risco
Anteriormente, o maior risco relacionado às cirurgias refrativas estava na obtenção dos chamados flaps - finas placas de tecido da córnea, antes obtidos por meio de lâminas de corte. Com o laser de femtosegundo, esse risco foi minimizado pois os flaps passaram a ser obtidos sem cortes, apenas com a separação dos tecidos por meio de bolhas de CO2 (dióxido de carbono), que são emitidas pelo laser na hora da incisão. Desta forma, o novo procedimento também oferece maior segurança ao paciente já que essas bolhas - que separam os tecidos, abrindo espaço para o trabalho do cirurgião - são absorvidas pelo organismo em 24 horas, como se não tivessem existido. Portanto, se a incisão for inadequada ou realizada em local incorreto, o procedimento pode ser prorrogado - enquanto o organismo absorve as bolhas sem sofrer nenhum dano - e efetivado em outro momento.
Além disso, durante a cirurgia, o médico conta com um monitor com imagens digitalizadas que conseguem programar as incisões do laser. É possível visualizar a sua ação antes mesmo das próprias aplicações, possibilitando qualquer correção - caso seja necessária - imediatamente.
Novos formatos de cortes
Durante aproximadamente 30 anos, os cortes em cirurgias de córnea eram feitos sempre em formato cilíndrico. Com o laser femtosegundo, os cortes podem ter vários formatos. Essa possibilidade é exatamente a que permite um encaixe perfeito dos tecidos no caso dos transplantes.
Recuperação
Com a nova técnica, a recuperação pós-operatória é mais rápida e menos desconfortável para o paciente, porque se reduz a necessidade de suturas (pontos).
Publicada em junho/2010