Imagine fazer um mapeamento de todos os seus genes e, com isso, ser capaz de prever e prevenir doenças que poderiam acontecer com você. Imagine também ter à sua disposição medicamentos desenvolvidos especificamente para o seu tratamento, com maior eficácia e sem efeitos colaterais. Esta realidade já não é mais um sonho distante.
A chamada "Medicina Personalizada" é apontada como a grande revolução na área da saúde nos próximos anos. É um conceito novo, que vem sendo inserido com bastante importância nas práticas científica e clínica das principais escolas de medicina e instituições de saúde do mundo.
As novas gerações de sequenciadores de DNA já são capazes de mapear o genoma humano – que é a soma de todos os genes, ou seja, toda a carga genética de uma pessoa. Sem desconsiderar os agentes externos, é ele que determina a formação do nosso corpo e grande parte da diferença entre os seres humanos.
Embora uma doença, para se manifestar, geralmente necessite da interação desses agentes externos com uma predisposição do indivíduo, o genoma mapeado pode revelar quais são as doenças que podem acometê-lo, e quais tratamentos seriam, de fato, mais eficazes e menos danosos.
"Até o momento, o médico corre o risco de indicar para um paciente um medicamento que funciona para apenas 60% dos casos, porque as doenças atingem cada pessoa de forma diferente", afirma o neurologista e geneticista do Einstein, Dr. David Schlesinger. "Mas há perspectiva de mudança", afirma.
"Cada indivíduo, portanto, se beneficia de remédios diferentes. Alguns podem ter péssimas reações a um tratamento, mas até hoje só sabem disso depois de tomarem. A partir de agora, porém, há perspectiva de mudança", acredita.
Um bom exemplo é o das estatinas, usadas para diminuir o colesterol. Sabe-se que 15% da população têm chance de desenvolver reações graves ao medicamento. Nesta nova realidade, um teste genético descobrirá esta predisposição e poupará o indivíduo de passar por um tratamento difícil e problemático.
Do laboratório para o consultório
O Einstein foi o primeiro hospital brasileiro a contar com um sequenciador de DNA de última geração – chamado Solid – capaz de sequenciar todo o genoma de um indivíduo em cerca de uma semana.
"Hoje, por um preço menor do que há dez anos, mas ainda menos acessível do que será daqui pra frente, podemos tirar esse conhecimento do laboratório e levar para o atendimento", afirma o geneticista.
Quando se mapeiam as características de um paciente, é possível tratá-lo melhor e de forma personalizada. Para a sociedade, o benefício também será notável. A perspectiva é de economia, já que não serão mais aplicados tratamentos em indivíduos que não podem responder a eles.
Estudos no Einstein
Em 2009, na época da aquisição do sequenciador, o Einstein realizava pesquisas voltadas para a própria área de sequenciamento. Atualmente, elas já se aproximaram do atendimento clínico. Um dos principais estudos realizados hoje pela instituição é o Octagene, com pessoas saudáveis acima de 60 anos de idade. Na pesquisa, compara-se a imagem cerebral - por meio de ressonância magnética - com o genoma de mais de 1000 participantes.
"Esses participantes, idosos e saudáveis, nos mostram como os padrões normais de envelhecimento do cérebro estão relacionados ao genoma de cada um deles", explica dr. Schlesinger.
O Octagene é uma colaboração do Einstein com o Centro de Estudo do Genoma Humano e a Faculdade de Saúde Pública, ambos da USP de São Paulo.
A vez da genética
As pesquisas de genética são tão importantes para o futuro da humanidade que a disciplina vem se transformado na bola da vez dos principais cursos de medicina do mundo.
A faculdade John Hopkins, por exemplo, que é uma das mais importantes de medicina dos Estados Unidos e com a qual o Einstein tem parceria, passou a contar com aulas de genética em todos os anos da formação de médicos.
Publicado em agosto/2011