Surpresa, desespero, negação, tristeza e superação são sensações experimentadas ao descobrir-se diante de um diagnóstico inesperado. E quando a única opção é o transplante de medula óssea (TMO), a espera para encontrar um doador pode chegar a seis meses.
O paciente tem três opções nessa busca: ter um irmão que seja compatível (25% de chance), algum familiar (9% de probabilidade) ou recorrer aos registros de doadores e bancos de sangue de cordão umbilical. São 5 milhões de pessoas cadastradas para doar em todo o mundo.
Recorrer aos desconhecidos, muitas vezes, torna-se a única esperança. Encontrar um doador em um país miscigenado como o nosso é demorado. A boa notícia é que as informações dos doadores são conectadas no mundo inteiro. São autorizadas a realizar o transplante de medula óssea com doadores não-aparentados apenas dez instituições no Brasil – dentre as quais o Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).
Hoje ainda é possível realizar transplante com técnicas especiais até quando não existe compatibilidade completa, que chamamos de transplante haploidêntico. Dessa forma, torna-se virtualmente impossível que quem precise de um transplante não o faça por falta de doador.
Contribuição à sociedade
Há 20 anos o HIAE atua na área de transplantes de medula óssea – uma história que teve início com a construção de um espaço na Unidade Morumbi para desenvolver o procedimento e a formação de uma equipe especializada. Desde então, foram realizados 550 transplantes, sendo mais de 30 destes entre pessoas sem parentesco.
Atualmente, uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, psicólogos, dentistas, nutricionistas e assistentes sociais, é responsável pelo bem-estar dos pacientes. A Unidade oferece cinco leitos.
“Atuamos em todas as áreas de transplante de medula, auxiliando centenas de pessoas a vencer suas doenças, contribuir para a ciência por meio de geração do conhecimento e ainda promover justiça social, uma vez que mantemos um programa vinculado ao Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP e ao Hospital Darcy Vargas, tratando de crianças carentes”, explica o dr. Nelson Hamerschlak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula Óssea do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).
Diante desse cenário, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (SBIBAE) conta com um banco público de cordão umbilical e participou ativamente da montagem de dois outros bancos no Estado de São Paulo, formando o Redecord, que é ligado ao Brasilcord, Rede Nacional de Bancos Públicos de Cordão Umbilical, do Ministério da Saúde, que tem como objetivo chegar a 12 bancos de cordão umbilical num prazo de três a quatro anos, sendo que quatro deles já estão em funcionamento.
Atuamos em todas as áreas de transplante de medula, auxiliando centenas de pessoas a vencer suas doenças, contribuir para a ciência por meio de geração do conhecimento e ainda promover justiça social
Desde 2004, o Banco de Sangue de Cordão Umbilical da Unidade Morumbi está em funcionamento. Em 2006, foram realizados os primeiros transplantes com o material congelado, que foram enviados para vários pontos do País, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Curitiba e Jaú.
Mais de 1.500 amostras encontram-se disponíveis no Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea e Sangue de Cordão Umbilical para uso da população brasileira. “Esse trabalho é indispensável para aumentar as chances de fazer um transplante”, explica o dr. Hamerschlak.
Transplante no Einstein
Há um procedimento-padrão para manter a qualidade de atendimento e garantir o sucesso do transplante. Durante três a cinco dias, o paciente fica em condicionamento, momento em que recebe quimioterapia e radioterapia. Depois de aproximadamente dois dias de descanso, os medicamentos quimioterápicos são eliminados e as células são injetadas na veia.
Ao se submeter ao transplante, as células antigas são eliminadas por meio de quimioterapia e radioterapia. São introduzidas as novas células e o paciente fica sob acompanhamento para evitar possíveis infecções. Nesse período, as células doentes e saudáveis travam um combate. Segundo o dr. Hamerschlak, as células injetadas em circulação buscam o osso – mais propriamente a medula óssea – e nele se implantam.
Publicada em fevereiro/2008
Atualizada em novembro/2009