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AIDS: enquanto a vacina não vem

Apesar do lento avanço no desenvolvimento de uma vacina anti-HIV, os medicamentos antirretrovirais garantem mais qualidade de vida aos pacientes.

De tempos em tempos, a promessa de uma vacina contra o HIV, o vírus causador da AIDS, ganha destaque nos jornais. Não demora muito e vem a informação: os testes não apresentaram os resultados esperados. Tem sido assim desde a primeira tentativa de desenvolvimento de uma vacina, no final da década de 1980. A exemplo de outras experiências, em 2009 os cientistas anunciaram os resultados de um ensaio conduzido na Tailândia, com vacina para duas cepas específicas de HIV. Houve 74 infecções no grupo placebo e 51 no que recebeu a vacina. Os infectados nos dois grupos tinham carga viral e danos ao sistema imunológico semelhantes. Em nota, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Conjunto da ONU para o HIV/AIDS classificaram a vacina experimental como “modestamente produtiva”. Ainda assim, ela é vista como um avanço científico. Mais uma esperança.

Por que é tão difícil ter uma vacina contra o HIV? O grande problema é a incrível capacidade de mutação do vírus, que impede que anticorpos o reconheçam e o neutralizem completamente. Como o HIV ataca as células que governam o sistema imunológico, vacinas que estimulem a imunidade podem ter um efeito oposto ao desejado, criando mais alvos de ataque.

As pesquisas prosseguem em várias direções. Englobam tanto as vacinas que visam a prevenir a infecção pelo HIV, quanto as “terapêuticas”, cujo objetivo é reforçar o sistema imunológico da pessoa já infectada. Atualmente, além de estudos de vacinas que buscam gerar uma resposta imune por meio da produção de anticorpos, há trabalhos relacionados com a chamada “imunidade celular”, uma resposta das próprias células contra aquelas já infectadas.

Por ser o meio mais eficaz, de mais fácil administração e mais barato para combater uma doença infectocontagiosa, uma vacina anti-HIV seria a resposta perfeita a um problema que atinge globalmente 33 milhões de pessoas e mata 2 milhões a cada ano, segundo dados da OMS.

Mais de duas décadas depois das primeiras pesquisas, ninguém ainda conseguiu desenvolver uma vacina bem-sucedida contra o HIV.

Para as pessoas infectadas, o que há de efetivo é o tratamento com antirretrovirais, o coquetel anti-HIV, medicamentos que estão cada vez mais eficientes. Embora não curem a doença, conseguem mantê-la sob controle e vêm contribuindo para a qualidade e o aumento da expectativa de vida dos pacientes. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, entre 1996 e 2006, o coeficiente de mortalidade por AIDS baixou de 9,6 para 6 por 100 mil habitantes. E a sobrevida de pacientes, entre 1995 e 2007, passou de 58 meses para 108 meses.

Em termos de prevenção, no entanto, as armas são as já conhecidas: cuidado na escolha dos parceiros e uso de preservativos e seringas descartáveis. A vacina – ainda que cada pesquisa possa gerar novos conhecimentos e novas esperanças – continua sendo uma promessa.

Confira no vídeo abaixo, entrevista com o Dr. Luiz Vicente Rizzo, infectologista do Einstein, falando mais sobre a vacina contra o HIV

Conheça os números da AIDS no Brasil

 

Publicado em 11/02/2011


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