Avanços das próteses, materiais e técnicas cirúrgicas beneficiam pacientes com artrose
Doença degenerativa das articulações, a artrose afeta as cartilagens que recobrem a extremidade dos ossos, desgastando-as progressivamente. Nesse processo, as dores, inicialmente eventuais, vão se tornando mais frequentes e intensas, e os movimentos, cada vez mais limitados. Fica difícil – e às vezes impossível – realizar até as atividades mais corriqueiras, como caminhar ou subir uma escada. A evolução da doença é mais rápida em algumas pessoas e em algumas articulações, mas é sempre progressiva. As mais comuns são as artroses idiopáticas ou primárias, que afetam particularmente as articulações sinoviais (sinovial é o líquido que lubrifica e nutre as cartilagens), entre elas, joelho, quadril, tornozelos, dedos, punho, ombro, cotovelo e parte das articulações das vértebras. Surgem sem uma causa definida, mas geralmente estão associadas ao envelhecimento, fatores genéticos e traumas.
Por enquanto, não há cura para esse mal. Nos casos mais graves, especialmente em artroses de quadril e joelho, a solução é a artroplastia, cirurgia para a substituição das articulações defeituosas por próteses.
Antes, esse procedimento era retardado ao máximo, sobretudo em pacientes mais jovens, por duas razões principais: as próteses disponíveis não propiciavam resultados tão bons e sua curta durabilidade exigia uma nova intervenção, mais complexa, para substituí-las depois de algum tempo. Quem tinha artrose enfrentava anos de sofrimento, tentando minimizar o problema com fisioterapia para fortalecer os músculos, anti-inflamatórios e analgésicos. Levava a situação assim até o limite que podia suportar. Em geral, esse era o patamar que definia o momento de fazer a cirurgia. “A dor era usada como critério para indicação da prótese. Hoje, ocorre o oposto: a artroplastia entra em cena assim que o desgaste atingiu um nível que pode comprometer a qualidade de vida do indivíduo”, diz o Dr. Amancio Ramalho Junior, ortopedista do Hospital Israelita Albert Einstein.
Mesmo quando o paciente diz suportar a dor, é preciso avaliar o quadro e orientá-lo sobre os riscos a que se expõe conforme o nível de deformidade ocasionado pela artrose. “Uma pessoa com artrose de joelho que colocar a prótese quando o desvio da perna estiver em 10 graus terá um resultado melhor que se o fizer quando o desvio tiver chegado aos 20 graus. Quando essas articulações atingem um nível de desgaste irreparável e causam deformidade articular, deve-se fazer artroplastia”, destaca o Dr. Gilberto Luis Camanho, ortopedista do Hospital Israelita Albert Einstein, especialista em joelho e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
O que permitiu essa mudança de orientação na prática médica foi uma verdadeira revolução nas artroplastias, com novos tipos de próteses e materiais e avanços nas tecnologias e técnicas cirúrgicas. As próteses duram muito mais e têm design mais anatômico; os procedimentos tornaram-se mais precisos e menos invasivos.
Inovação em várias frentes
Em quadril, as próteses – que têm uma parte fixada no fêmur e outra no quadril – ganharam nova conformação anatômica, materiais mais sofisticados e em diferentes combinações – metal/metal (aço ou titânio), metal/plástico (polietileno), cerâmica/cerâmica. “Também evoluiu o cimento acrílico usado na fixação da prótese e mudou a própria forma de cimentar, permitindo melhor aderência ao osso e tornando-se mais resistente”, explica o Dr. Ramalho.
Com programas específicos, é possível efetuar os cortes de osso para implantação da prótese com extrema precisão, melhorando os resultados e reduzindo o risco de erros em relação à tecnologia anterior, que utilizava guias para balizar os cortes
Além disso, surgiram as próteses não cimentadas, que são encaixadas exclusivamente sob pressão (press fit). “Nessa modalidade, com o auxílio de um instrumento, o cirurgião abre um espaço no osso, que terá exatamente a mesma forma e tamanho da prótese, para ali fixá-la por pressão. Interagindo com a composição biocompatível da prótese, o osso cresce e adere ao material”, descreve o Dr. Ramalho. Por se tratar de uma técnica mais recente, não há estudos conclusivos, mas acredita-se que a prótese não cimentada, por aderir melhor ao osso, possa durar mais. Ela é geralmente adotada em indivíduos mais jovens, pois a qualidade da massa óssea favorece o procedimento; em pacientes mais idosos, com ossos menos resistentes, a fixação com cimento é mais indicada. Em média, as novas próteses duram de 20 a 25 anos, o dobro das anteriores. As técnicas cirúrgicas também evoluíram, com incisões menores e sem cortes dos músculos, o que agiliza a recuperação. Em poucos dias, o paciente já está andando.
Avanço semelhante ocorreu nas artroplastias de joelho, que podem envolver a substituição parcial ou total das articulações. Além da dor, a artrose nessa região tem um agravante, pois o problema nos joelhos acaba comprometendo toda a postura do indivíduo, afetando quadril, coluna e outras partes do corpo.
“Ao lado da melhoria dos materiais e das técnicas menos invasivas, a grande evolução nessas artroplastias foi o sistema modular de próteses”, avalia o Dr. Camanho. Segundo ele, anteriormente, as próteses de joelho estavam disponíveis em apenas três escalas (pequena, média e grande). Hoje há vários tamanhos das peças que se ligam ao fêmur e à tíbia, opções de conformidade para sexo e lateralidade (direito e esquerdo), possibilitando compô-las da maneira mais adequada a cada caso. Há, ainda, maior variedade de tamanho dos plásticos usados entre as peças metálicas.
O computador é outro aliado. “Com programas específicos, é possível efetuar os cortes de osso para implantação da prótese com extrema precisão, melhorando os resultados e reduzindo o risco de erros em relação à tecnologia anterior, que utilizava guias para balizar os cortes”, destaca o Dr. Camanho. De acordo com ele, o aprimoramento dos recursos computadorizados permite prever que, em breve, não se usará mais cimento na fixação das próteses de joelho. Hoje se adota uma combinação de técnicas de fixação por pressão e com cimento.
Atualmente há vários estudos e pesquisas de tratamentos de artrose com medicamentos e com transplante de cartilagem. Mas isso é para um futuro mais distante. As melhores promessas a curto prazo para os casos mais graves da doença estão mesmo nas artroplastias, com mais avanços nas técnicas, materiais e próteses. Segundo o Dr. Ramalho, para as intervenções artroplásticas de quadril, esperam-se próteses menores, que preservam mais os ossos, e há ainda estudos ainda com próteses de revestimento, uma espécie de capa colocada sobre o colo do fêmur, evitando cortes no osso. Em relação à artroplastia de joelho, já está em fase experimental na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a produção próteses customizadas, desenvolvidas sob medida para o paciente, com apoio dos recursos computadorizados. Além da precisão de uma peça “feita sob medida”, isso, de acordo com o Dr. Camanho, reduziria os custos das próteses, já que hoje são produzidas várias peças de diferentes tamanhos, das quais apenas algumas serão usadas no paciente, conforme os cortes feitos nos ossos durante a cirurgia.
Todas essas são boas notícias para os pacientes que têm à sua disposição um número crescente de recursos para substituir a artrose por qualidade de vida.
Publicado em
23/09/2011
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23/04/2012 19:42:05
Cláudia Mafra
Boa noite,
Meu namorado sofreu um acidente de moto aos 10 anos a traz, hoje ele tem 28 anos e sofre muito com artrose no tornozelo. No acidente ele teve fratura exposta fez uma cirurgia pra colocar parafuso, depois foi retirado esse parafuso.
Hoje ele faz fisioterapia e acunpultura para aliviar as dores. Já procuramos diversos medico aqui na Bahia mas aqui eles não fazem essa cirurgia, gostaria de saber se vocês realiza esse procedimento ai?
Resposta:
Prezada Cláudia, agradecemos seu contato. Para melhor entendimento de sua dúvida e ajudá-la, por favor, entre em contato com o Fone Saúde do Einstein pelo telefone (11) 2151-1233 e escolha a opção 3, ou e-mail fonesaude@einstein.br. Boa sorte.
20/04/2012 11:29:39
LUIZ ALBERTO
OLA, TENHO 54 ANOS TENHO ARTROSE NOS DOIS JOELHOS, APOSENTEI POR INVALIDEZ PREVIDENCIARIA HA 3 ANOS, CADA DIA QUE PASSA MEUS JOELHOS ESTÃO PIORANDO MAIS, NÃO POSSO SUBIR ESCADAS E SE ANDO À PÉ UNS 5 MINUTOS CUSTO AGUENTAR. O QUE DEVO FAZER P/ MELHORAR.
Resposta:
Olá Luiz,
Para uma avaliação mais detalhada e precisa, você deve procurar o médico que acompanha seu caso. Só ele pode esclarecer todas as suas dúvidas. Caso queira, disponibilizamos duas formas de indicação médica. Por meio da nossa Central Médica, pelo telefone 11 2151-1233, ou pelo nosso site http://www.einstein.br/hospital/Paginas/indicador-medico.aspx.
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