Entre crianças e jovens, o índice de cura chega a 70%. O diagnóstico precoce e os novos tratamentos aumentam as chances de sucesso.
Depois dos acidentes, o câncer é a principal causa de morte entre crianças e adolescentes no Brasil. A cada ano são cerca de 10 mil novos casos de câncer pediátrico, ou infanto-juvenil, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Câncer. A boa notícia é que hoje cerca de 70% desses pacientes podem ser curados. Dentre os fatores que têm contribuído para esse índice de sucesso estão o diagnóstico precoce, o desenvolvimento de drogas mais eficientes e a atenção ao contexto familiar e social do paciente.
O câncer pediátrico pode afetar qualquer célula do organismo, com mais frequência as do sistema sanguíneo. Ele raramente é hereditário e seu surgimento depende de alterações genéticas que ocorrem nas próprias células tumorais.
As leucemias respondem por uma parte importante dos casos - cerca de 30% do total - e têm incidência maior nos primeiros cinco anos de vida. Logo em seguida, estão os tumores primários de sistema nervoso central, linfomas, neuroblastomas, tumores renais e sarcomas. O tratamento fundamental é a quimioterapia. Apenas uma minoria de casos pode ser tratada exclusivamente com cirurgia e radioterapia. Nas leucemias e linfomas , utiliza-se o transplante de medula óssea de maneira complementar, pois ele auxilia o sistema imunológico do paciente e permite que ele receba doses mais altas de quimioterapia, o que é particularmente útil nos casos resistentes ao tratamento convencional.
A cada ano, são cerca de 10 mil novos casos de câncer pediátrico no Brasil
Novas drogas quimioterápicas, mais eficazes e mais bem toleradas pelo organismo, têm favorecido o tratamento e aumentado os índices de controle da doença e de cura. A combinação dessas drogas diminui os efeitos colaterais e contribui para reduzir as necessidades de internação. Também permite que a criança mantenha uma rotina próxima do normal durante o tratamento.
Novos avanços, como as terapias alvo-dirigidas, baseadas em drogas que agem sobre anormalidades específicas de determinados tipos de tumor, também fazem com que os índices de cura continuem evoluindo, cada vez com menos efeitos colaterais. Pacientes com leucemia, por exemplo, que em 10 anos após o diagnóstico não apresentam manifestações colaterais graves nem o retorno da doença, passam a ter uma expectativa de vida semelhante à da população em geral.
Além do cuidado integral na recuperação biológica, é preciso garantir ao paciente e à sua família o apoio psicossocial necessário durante todo o processo. Para isso, é essencial o trabalho conjunto de médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas e farmacêuticos.
Se os tratamentos evoluíram, o diagnóstico precoce mantém-se como um fator-chave. Ele nem sempre é fácil. Na maioria dos casos, os sintomas não são específicos, podendo ser confundidos com doenças comuns da infância. Assim, o conhecimento e a ação do médico que acompanha a criança e a atenção dos pais são cruciais. Se a criança estiver com alguma queixa de saúde persistente, os pais devem ficar atentos. É mais provável que os sintomas estejam mesmo relacionados com problemas comuns da idade, mas é recomendável uma consulta ao pediatra. Muitas vezes, por desconhecimento ou medo da descoberta do câncer, os pais se negam a reconhecer os sintomas do filho e retardam a ida ao médico. Esse é o pior caminho. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de a criança superar a doença.
Publicado em
09/04/2010
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