A estabilização do número de novos casos de Aids e o aumento da sobrevida dos pacientes podem levar à banalização da doença e ao descuido com a prevenção
O aumento dos encontros sexuais em datas comemorativas e grandes festas populares é normal, principalmente entre os jovens. É por essa razão que, durante o Carnaval, o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, reforça as campanhas de informação e as ações de prevenção. Em 2009 foram distribuídos gratuitamente 465 milhões de preservativos. Para 2010, esse número deve chegar a 750 milhões. Desse total, 10 milhões são entregues só nos dias de Carnaval.
As ações de prevenção e conscientização são fundamentais e geram resultados positivos, pois a taxa de incidência de contaminação por HIV no Brasil estabilizou-se desde 1998. Atualmente, o número de novos casos por ano está em torno de 35 mil. Mas a distribuição de preservativos só é eficiente quando acompanhada pela atitude de se cuidar e proteger a si e ao seu parceiro.
O Brasil tornou-se referência no combate à doença com a entrega gratuita do coquetel antiviral aos soropositivos. A sobrevida média desses pacientes nas Regiões Sul e Sudeste dobrou entre 1995 e 2007, saltando de 58 meses para mais de 108 meses. Outra boa notícia foi a redução em 41,7% da incidência da doença em crianças menores de 5 anos de idade entre 1997 e 2007, fruto da realização do exame pré-natal com acompanhamento adequado e uso de antivirais.
A distribuição de preservativos só é eficiente quando acompanhada pela atitude de se cuidar e proteger a si e ao seu parceiro.
Apesar dos avanços, a cada ano mais de 11 mil pessoas morrem no Brasil por complicações relacionadas com a Aids. E a explicação é comportamental. O ser humano arrisca-se, embora conheça os perigos e os caminhos da prevenção. A comprovação é da Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, realizada em 2008 pelo Ministério da Saúde. De acordo com o estudo, 97% das pessoas ouvidas declararam saber que a Aids é uma doença sexualmente transmissível e 96% têm consciência de que a prevenção é feita com o uso de preservativo. Mesmo assim, mais de 50% da população sexualmente ativa não se protege.
O mesmo estudo revela que 21% dos homens pesquisados, casados ou com relação estável, tiveram uma relação extraconjugal ao menos uma vez no ano anterior. Desses, 57% não usaram preservativo. Quanto às mulheres, 11% das casadas ou com relação estável mantiveram relação com outro parceiro, 75% delas sem preservativo.
Em 2007, a taxa de incidência de HIV em mulheres acima de 50 anos praticamente dobrou em relação a 1997. Falta de informação? Na verdade, adultos com mais de 49 anos não viveram a explosão da doença no início da sexualidade e talvez por isso o uso de preservativo não seja um hábito. Já os jovens de 15 a 24 anos apresentam comportamento mais seguro se comparados às outras faixas etárias, mas mesmo assim cresceu o número de casos da doença em meninas de 15 a 19 anos.
Combinar a distribuição de preservativos com campanhas de informação de massa, com peças publicitárias segmentadas para cada público, faz parte da receita para combater o problema. Entretanto, a real prevenção passa pela consciência sobre a importância da prática do sexo seguro e do respeito pelo parceiro. Essa postura é que tem, na verdade, o poder de preservar a vida.
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