Uma evolução das técnicas minimamente invasivas, o robô se afirma como um novo aliado em procedimentos de alta complexidade.
Depois de revolucionar processos industriais, como no setor automotivo, os robôs chegaram às salas de cirurgia. Em um cenário que até há pouco seria definido como futurista, o cirurgião instala-se em frente de um console e opera manejando os braços do robô. O sistema robótico confere maior destreza e precisão ao trabalho do médico, permitindo uma acurada visão em 3D, movimentos mais amplos com as pinças e outros instrumentos cirúrgicos e eliminação de tremores. É maior segurança para o paciente. Hoje, são mais de mil robôs utilizados nos Estados Unidos e outros 400 no resto do mundo, apenas três deles no Brasil. Em 2009 foram realizados mais de 200 mil procedimentos com esse recurso.
A robótica amplia os benefícios das cirurgias minimamente invasivas (feitas por meio de pequenas incisões no corpo) para procedimentos de alta complexidade, especialmente em urologia, cardiologia, gastrocirurgia, ginecologia, cabeça e pescoço. A utilização do robô não pressupõe que a cirurgia seja mais ou menos eficiente que a tradicional. Os ganhos da cirurgia robótica estão em outras frentes: menos sangramento, tempo de internação e dores no pós-operatório, menor risco de infecção e mais rapidez na recuperação do paciente.
Uma pessoa submetida a uma cirurgia cardíaca convencional, por exemplo, que exige secção do osso do peito, fica internada de 7 a 10 dias e precisa de 45 dias para retornar às atividades habituais. Na cirurgia robótica minimamente invasiva, a alta hospitalar ocorre entre 4 e 7 dias e o paciente retoma suas atividades em 10 dias. Recentemente, foram realizadas no Brasil as primeiras cirurgias cardíacas robóticas da América Latina, com sucesso na recuperação dos pacientes.
Pacientes submetidos à cirurgia cardíaca convencional precisam de 45 dias para retornar às atividades habituais. Na robótica, esse período diminui para 10 dias.
É crescente a o uso da cirurgia robótica nos casos de câncer de próstata. Nos Estados Unidos, esse procedimento já é adotado entre 80% e 90% dos casos. Além dos benefícios usuais, a técnica robótica, de acordo com um estudo publicado no British Journal of Urology, reduz pela metade o risco de o paciente ter problemas de ereção (sequela comum nesses casos), em comparação com a cirurgia convencional.
A robótica também permitiu a utilização das técnicas minimamente invasivas em cirurgias abdominais que até então eram possíveis somente com grandes incisões no corpo do paciente. As gastrocirurgias robóticas mais realizadas no mundo são as de retirada de tumores no pâncreas, esôfago, estômago e fígado.
No Brasil, esses procedimentos têm sido feitos com sucesso, embora em escala pequena em virtude do restrito número de instituições que investiram na tecnologia até o momento. Nos países onde é mais adotado, o sistema traz benefícios não apenas para o médico e seus pacientes. Com menos tempo de internação e recuperação mais rápida, pacientes submetidos a cirurgias complexas geram menos gastos para os sistemas de saúde e voltam à vida produtiva em um tempo menor. Ou seja, é toda a sociedade que se beneficia.
Publicado em
20/08/2010
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