Qual a melhor idade para começar a tratar do envelhecimento da pele?
A medicina ainda não encontrou o caminho que leva à fonte da juventude. Mas já tem a resposta para aqueles que querem saber a partir de que idade devem iniciar os cuidados contra o envelhecimento da pele: na infância, período em que o indivíduo começa a definir, por meio dos hábitos de vida, as futuras rugas, manchas e outros indicadores da passagem do tempo.
Envelhecer faz parte do ciclo da vida. Toda célula quando nasce tem inscrito em seu código genético o tempo que viverá. Isso não dá para mudar. Mas é possível agir na outra frente, a dos fatores ambientais que podem acelerar ou retardar esse processo. A marcha natural do envelhecimento se inicia por volta dos 25 anos e será influenciada pelo nosso estilo de vida desde pequenos. Proteção contra os raios solares, nutrição adequada e atividade física sem exageros formam o tripé básico a ser adotado. Quanto mais cedo, melhor.
Portanto, cabe dedicar às crianças todo o cuidado para garantir a longevidade e a saúde da pele no futuro. Aos adultos que já trazem as marcas do passado, há soluções para amenizá-las. Mas a qualquer tempo vale mudar costumes e conceitos para evitar maiores danos.
Proteção essencial
O uso de filtro solar é fundamental, pois protege contra os raios UVB e UVA, os principais vilões do fotoenvelhecimento
O uso do filtro solar deve ser incorporado aos hábitos cotidianos. “Passar protetor solar deveria ser como escovar os dentes ou tomar banho, uma prática da rotina de todas as pessoas”, defende a Dr. Márcia Purceli, dermatologista do Einstein. Para o tipo padrão de pele do brasileiro, a aplicação de protetores de FPS (fator de proteção solar) 15 garante boa proteção. Para pessoas de pele mais clara, com sardas, manchas, ou as que já tiveram câncer de pele, recomenda-se FPS 50. Em função dos vários tipos de peles e situações cotidianas, cada indivíduo deve escolher as opções mais adequadas disponíveis no mercado. Recomenda-se reaplicar a cada quatro horas.
Para pessoas que vão fazer atividade física, suar, fazer esportes aquáticos, a proteção tem de ser mais cuidadosa, com mais reaplicações do produto (no mínimo a cada duas horas). Elas podem recorrer até aos filtros solares de crianças, formulações especiais com FPS de no mínimo 40 e mais proteção física (tipo uma barreira) do que fotoquímica. Quando comparados aos produtos de adulto com o mesmo FPS, se diferenciam pela durabilidade prolongada da ação protetora. Importante ressaltar: adultos podem usar o filtro solar feito para crianças; mas estas não devem usar o de adultos.
Assista ao vídeo e confira mais dicas de como cuidar da pele no verão
Mais preocupadas em manter a aparência jovem, as mulheres aderem melhor à rotina do protetor solar. Os homens muitas vezes o reservam apenas para determinadas ocasiões – quando vão à praia ou fazem algum esporte. Um dos argumentos (ou pretextos) é que têm mais pelos, o que dificulta a aplicação. Trata-se de um problema que pode ser facilmente superado com os produtos em versão aerossol e spray. Para o rosto, há formulações em gel ou mousse. Para peles muito secas, melhor é optar pelo creme.
“O uso de filtro solar é fundamental, pois protege contra os raios UVB e UVA, os principais vilões do fotoenvelhecimento”, explica a Dr. Márcia, lembrando que o sol em excesso destrói o colágeno da pele. O primeiro tipo de raio, mais incidente entre as 10h e 16h, causa vermelhidão e queimaduras. O segundo, sempre presente enquanto há claridade, é responsável pela pigmentação da pele e também provoca manchas e rugas. Ambos podem favorecer o desenvolvimento do câncer de pele.
De acordo com a dermatologista, é preciso mudar a própria forma como encaramos e classificamos os filtros solares. “Em vez de cosméticos ou cosmocêuticos, esses produtos deveriam ser entendidos como medicamentos, como itens de proteção à saúde pública”, afirma. Segundo ela, além de ajudar na prevenção do câncer, o filtro protege pacientes de reações adversas desencadeadas pelo sol, como no caso dos portadores do lúpus. “Existe também o caso dos albinos, uma população que precisa ser protegida dos raios solares”, completa. Atualmente, está em estudo no Brasil um projeto de lei para tornar obrigatório o fornecimento, pelas empresas, de protetor solar aos funcionários que desempenham atividades sob o sol. E já há companhias que o fazem, como os Correios, que desde 2001 distribuem protetores aos carteiros.
“Precisamos mudar nosso próprio conceito de sol. Muita gente pensa que só é necessário se proteger quando está na praia ou ao ar livre num dia ensolarado. Se vemos alguma claridade, mesmo que mínima, o sol está lá. Num dia nublado, por exemplo, existe menos incidência de raio UVB, mas a pele continua exposta à radiação UVA”, alerta a Dr. Márcia. Até as lâmpadas, particularmente as fluorescentes, emitem raios que favorecem a pigmentação. Quem tem manchas na pele, precisa proteger-se até deles.
Frutas, antioxidantes no cardápio
Precisamos mudar nosso próprio conceito de sol. Muita gente pensa que só é necessário se proteger quando está na praia ou ao ar livre num dia ensolarado.
Outro hábito em favor da pele é o consumo de frutas, principalmente com casca, fonte de doses maiores de vitaminas e fibras. “As frutas atuam como antioxidantes, combatendo os radicais livres, que são vilões do envelhecimento – uma espécie de lixo metabólico que vira tóxico para o próprio organismo”, explica a médica. O ideal são cinco unidades (ou porções) diárias de frutas. A alimentação pode ainda ser complementada com suplementos, desde que prescritos por médicos. Em excesso, algumas vitaminas podem prejudicar a saúde.
Finalmente, é preciso fazer atividade física de maneira regular, mas sem exageros, pois estes levam o organismo a produzir mais radicais livres.
E, para os fumantes, mais um motivo para abandonar o cigarro: além de todas as doenças que pode causar, o fumo gera radicais livres. As substâncias tóxicas liberadas pelo cigarro e impregnadas na pele por difusão destroem o colágeno próximo à região da boca, provocando rugas (ironicamente conhecidas como ‘código de barras’) difíceis de serem amenizadas com qualquer tipo de recurso disponível no arsenal dermatológico.
Produtos e tecnologias
Há uma ampla gama de recursos que ajudam a melhorar a pele e minimizar os males já causados. Estudos comprovam, por exemplo, a eficácia dos cosméticos à base de vitamina C estabilizada, que atua como antioxidante e estimula a produção do colágeno. Novidade no mercado brasileiro são os bioestimuladores, produtos cosméticos que estimulam o colágeno por meio de minicargas elétricas. A tecnologia do laser também traz benefícios nesse sentido. Mas sua aplicação por profissionais não habilitados implica risco de queimaduras e cicatrizes irreversíveis. Frente à atual oferta de serviços, algumas apresentadas como irresistíveis promoções, é vital certificar-se que o procedimento será realizado por profissional capacitado.
Novos equipamentos e produtos surgem a cada dia. Mas, por enquanto, a melhor maneira de retardar o envelhecimento dispensa tecnologias revolucionárias: é cuidar da pele desde cedo, com hábitos simples e saudáveis que desaceleram a marcha do tempo.