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Endometriose, a doença da mulher moderna

Causa de dores e infertilidade, a doença é tratada com cirurgia na maioria dos casos, e o procedimento pode ser minimamente invasivo.

Pouco falada até há alguns anos, a endometriose virou assunto frequente entre as mulheres. A doença, que causa dor e pode levar à infertilidade, surge quando partes do endométrio (tecido localizado habitualmente dentro do útero) aparecem em outros locais como ovário, bexiga e intestino, por exemplo. Pouco se sabe sobre o que provoca essa doença. As pesquisas mostram que a endometriose acomete mais as mulheres com ritmo de vida agitado e submetidas ao estresse, com a consequente queda da imunidade do corpo.

Se ainda há muito por descobrir sobre sua origem, cada vez mais se sabe como o problema pode ser tratado. Na maioria dos casos, a cirurgia é a melhor alternativa. E a última palavra em cirurgia é a tecnologia robótica.

Remover um tecido afetado pela endometriose é um trabalho extremamente delicado. A evolução da doença é semelhante à de um tumor, embora sem malignidade: é uma lesão progressiva e invasiva cuja extensão varia em cada caso. Por ligar-se a outros órgãos e tecidos do abdome, o foco de endometriose deve ser retirado com a mínima agressão possível. Até a década passada, a única opção para essa remoção era com a cirurgia tradicional do abdome, ou laparotomia. A laparoscopia, técnica minimamente invasiva, foi uma revolução nessa área: com ela, o médico usa pequenas incisões nas quais introduz uma câmera e as pinças cirúrgicas, manipuladas pelo próprio cirurgião e um auxiliar. A cirurgia robótica vai além. Nela, as pinças são conduzidas com os braços do robô, que é manipulado pelo cirurgião. As vantagens de visualização das imagens da cavidade abdominal – em três dimensões (3D) – e da amplitude de movimento são enormes. O nível de detalhamento dessas imagens não pode ser obtido a olho nu na cirurgia tradicional, por causa da distância entre os olhos do médico e a região operada, nem com a câmera comum da laparoscopia, que capta em duas dimensões, o que afeta a profundidade do que é visto. Além disso, os braços do robô são bastante delicados e podem suturar com precisão máxima.

A evolução da endometriose é semelhante à de um tumor, embora sem malignidade: é uma lesão progressiva e invasiva cuja extensão varia em cada caso.

Nem todas as mulheres que sofrem com a endometriose precisam de cirurgia. Há alguns casos que conseguem ser controlados com o uso de medicamentos e hormônios. Entre 30% e 40% das mulheres atingidas pela endometriose têm dificuldade para engravidar – muitas, inclusive, só descobrem a doença quando investigam uma possível infertilidade. Mas o maior sofrimento são as dores,que podem ser muito intensas no período menstrual. Por aceitarem as cólicas como algo inerente à menstruação, muitas levam anos para pesquisar a origem do desconforto.

A cirurgia devolve a qualidade de vida e pode curar a infertilidade nos casos em que a endometriose era o único fator impeditivo da gravidez. Embora não represente uma cura definitiva, pois a doença pode ressurgir, a cirurgia tira a dor do cotidiano da mulher.

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