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Exames de imagem: a busca das doses mínimas de radiação

Os benefícios dos métodos de diagnóstico por imagem são inegáveis, mas os efeitos cumulativos da radiação ainda são desconhecidos.

Há não muito tempo, traumas na cabeça eram sinônimo de observação por 24 horas. O paciente não podia dormir para que se pudesse monitorar a formação de um eventual edema no crânio. Atualmente, a realização de uma tomografia computadorizada pode, em poucos minutos, fazer esse diagnóstico.

O exemplo acima mostra o enorme benefício trazido por esse tipo de exame, que teve uma verdadeira explosão de utilização nos últimos 20 anos. Extremamente eficaz para a avaliação da maioria das estruturas do corpo humano e de custo considerado baixo pelo benefício oferecido, a tomografia computadorizada está hoje entre os exames mais indicados por médicos para se chegar a um diagnóstico preciso.

Com a massificação do seu uso, cresce também a polêmica sobre os riscos que a radiação ionizante emitida para a captação das imagens possa ocasionar no longo prazo em indivíduos que se submetem ao exame com frequência. Isto porque a quantidade de radiação em um exame de tomografia computadorizada é superior, por exemplo, à de uma radiografia ou uma mamografia. Uma radiografia de tórax corresponde a 0,02 mSv*. A dose de radiação solar a que todos estamos expostos em um ano é de 2 a 5 mSv, equivalente a pelo menos 100 radiografias de tórax. Já uma tomografia computadorizada envolve, em média, de 2 a 20 mSv, dependendo do tipo de exame.

Deve haver mais rigor na indicação de exames de tomografia computadorizada, buscando-se, quando possível, alternativas como a ultrassonografia e a ressonância magnética, que não usam radiação ionizante.

Os efeitos da radiação em altas doses são amplamente conhecidos: queimaduras, queda de cabelo, hipofunção da medula. E quanto às consequências do uso cumulativo e prolongado de baixas doses? Até hoje, os estudos realizados sobre esse tema não são definitivos. Mas quase todos convergem para uma conclusão: a de que a radiação de exames de imagem pode contribuir minimamente para aumentar o risco natural de câncer. Um desses estudos, de autoria do radiologista Francis Verdun, publicado em 2008 na revista Radiographics (uma das mais prestigiosas publicações mundiais em radiologia), mostra um dado interessante: se um indivíduo aos 40 anos de idade tiver acumulado 100 mSv, aos 75 anos terá a probabilidade natural de contrair câncer aumentada em apenas 0,02%.

Isso não significa que o risco deva ser desprezado. Além da falta de estudos conclusivos, por ora sabe-se que os efeitos da radiação dependem da sensibilidade de cada pessoa, dos tecidos atingidos e da idade – em fetos, é bem conhecida a probabilidade de riscos de malformação.

A tecnologia é uma aliada quando se busca a mínima radiação possível. Hoje, tomógrafos de última geração utilizam a chamada técnica de modulação de dose. São equipamentos que avaliam variáveis como peso e altura do paciente, utilizando a dose de radiação mínima necessária, sem comprometer a qualidade do exame. Sem dúvida, esse é um caminho para minimizar riscos. Há, também, uma tendência que vem se tornando consenso no meio médico: a de que deve haver mais rigor na indicação de exames de tomografia computadorizada, buscando-se, quando possível, alternativas como a ultrassonografia e a ressonância magnética, que não utilizam radiação ionizante.

Já que os riscos existem, o melhor a fazer se houver necessidade de se submeter a esses exames é, sempre que possível, procurar equipamentos que consigam controlar a dose da radiação. Racionalidade e tecnologia avançada combinadas colocam a serviço dos pacientes aquilo que os recursos diagnósticos podem oferecer de melhor, com a maior segurança.

*Sievert: medida de dose equivalente ao efeito biológico produzido em tecidos vivos pela radiação absorvida.

Publicado em 19/02/2010


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