Fundamentais para os avanços em saúde, as pesquisas devem ser conduzidas dentro das fronteiras éticas e de segurança.
Poucos setores são tão dependentes das pesquisas quanto a área da saúde. É delas que emergem novos medicamentos e procedimentos que permitem avançar na cura de doenças e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Apesar do reconhecimento sobre a importância dessa atividade, às vezes surgem questionamentos sobre o que é aceitável e quais os limites que devem guiar novos experimentos.
Essas discussões têm como ponto positivo o fato de lançar luz sobre um tema pouco debatido pela sociedade: os caminhos para chegar às inovações na medicina. O debate se concentra em dois eixos principais. De um lado, estão os aspectos éticos e de segurança que devem ser respeitados por aqueles que estão envolvidos no estudo de novos procedimentos, técnicas e medicamentos. Do outro, está a imprevisibi l idade intrínseca aos processos e situações experimentais em que os resultados ainda não são totalmente conhecidos, mas apresentam potencial de ganhos para os pacientes. Afinal, muito do que se utiliza hoje na medicina foi objeto de estudos e experiências algum dia.
Foi assim com as técnicas minimamente invasivas nas cirurgias, como a laparoscopia, os remédios contra o câncer, os equipamentos de hemodiálise e os stents usados para desobstrução de artérias, só para citar alguns exemplos. O mais importante nesse cenário é garantir que, qualquer que seja o objetivo, os processos experimentais relacionados à saúde humana sejam cercados de todos os cuidados necessários – e eles são.
Os hospitais e centros envolvidos com pesquisa na área médica possuem comitês de ética responsáveis por verificar a aplicação de rigorosos protocolos e normas de conduta. Esses comitês defendem os interesses, a integridade e a dignidade das pessoas envolvidas na pesquisa e contribuem para o desenvolvimento da pesquisa dentro dos padrões éticos. No Brasil, esses órgãos estão subordinados à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, ligada ao Conselho Nacional de Saúde, que os regulamenta e fiscaliza. A principal preocupação dessas instâncias diz respeito aos testes realizados em seres humanos, o que normalmente acontece em fases mais avançadas da pesquisa, quando já se constatou por outros meios uma certa segurança e eficácia do medicamento ou procedimento.
Laparoscopia, remédios contra o câncer, equipamentos de hemodiálise e stents são exemplos de progressos proporcionados pelas pesquisas.
Além de rigorosos padrões éticos e de segurança, é importante garantir que o indivíduo que se candidata a algum teste – para um novo medicamento ou um procedimento experimental – esteja ciente dos benefícios, dificuldades e riscos envolvidos naquele processo. Outra preocupação é avaliar com precisão quais os benefícios que o paciente terá com o uso da novidade, principalmente na evolução de sua doença.
Afinal, se é indiscutível a importância das pesquisas para alavancar inovações em medicina, também é incontestável a forma como devem ser conduzidas: segundo os melhores princípios de ética e segurança, tendo em mente que o benefício ao paciente é o objetivo maior desses estudos.
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Publicado em
18/02/2011
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