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Tabagismo: abandonar o vício não é fácil, mas é possível

O tabagismo é a maior causa de morte evitável em todo o mundo. A boa notícia é que o País tem cada vez mais ex-fumantes.

Estima-se que o cigarro e outros derivados do tabaco sejam responsáveis por cerca de 200 mil óbitos por ano no Brasil. No entanto, motivadas pela informação sobre os malefícios do tabaco, pelas campanhas de conscientização e pelas restrições legais ao fumo em locais fechados, mais e mais pessoas deixam de fumar. De acordo com a Pesquisa Especial de Tabagismo realizada pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde, entre 1989 e 2008 o percentual da população brasileira fumante com 15 anos ou mais caiu de 32% para 17,2%. O estudo revela ainda que 52,1% dos fumantes planejavam deixar o vício.

O caminho entre a vontade de parar, a tomada da decisão e o êxito do propósito pode levar um tempo. Nem sempre se consegue na primeira tentativa, mas as recaídas fazem parte do processo e os esforços para desistir do fumo não devem ser abandonados.

Embora a definição da dependência pesada seja a do consumo diário de 20 cigarros ou mais, a verdade é que o fumo ocasional é igualmente prejudicial à saúde. Quem fuma um cigarro por dia, ou alguns no fim de semana, também tem riscos de desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo e a qualquer momento pode se tornar um fumante regular. Substituir o cigarro por cigarrilha e outros derivados do tabaco tidos como menos prejudiciais é igualmente danoso. Todos esses produtos possuem em média 4.700 substâncias tóxicas, das quais mais de 40 comprovadamente cancerígenas.

Embora a definição de dependência pesada seja a do consumo diário de 20 cigarros ou mais, a verdade é que o fumo ocasional é igualmente prejudicial à saúde.

As chances de deixar de fumar e não apresentar recaída aumentam quando se tem um acompanhamento médico e psicológico. O tratamento da dependência envolve a adoção de uma ou mais das três principais alternativas disponíveis: aconselhamento terapêutico individual ou em grupos, terapia de reposição de nicotina e terapia com medicamentos.

A terapia de reposição feita com adesivos ou gomas de mascar de nicotina possibilita a redução gradual dos níveis dessa substância. O princípio é o mesmo da diminuição gradativa do número de cigarros fumados por dia, mas só reduzir a quantidade de cigarros não é tão eficaz como a terapia, pois o hábito de fumar fica mantido, impedindo a redução dos fatores sociais, emocionais e culturais ligados à manutenção da dependência.

Já os medicamentos, além de agirem sobre os neurotransmissores responsáveis pela vontade de fumar, reduzem os sintomas da abstinência, como irritabilidade e ganho de peso, aumentando o sucesso da terapia e diminuindo o risco de recaídas. Porém, sua utilização deve ter sempre acompanhamento médico.

O tratamento para abandonar cigarro dura em média três meses e seu custo praticamente se equipara aos gastos com o tabaco em menos de um ano. Isso, claro, sem considerar o que se gasta com o tratamento de problemas de saúde relacionados ao tabagismo. A escolha é de cada um. Mas deixar de fumar é optar pela vida.

A cronologia de benefícios para quem deixa o cigarro

O tabagismo é um hábito aprendido, mantido por uma dependência poderosa à nicotina. A sensação de prazer que o fumante experimenta vem da estimulação de áreas cerebrais relacionadas à percepção do bem-estar e, tal como acontece com outras drogas, a ausência de nicotina é sentida como um intenso mal-estar. Por isso é tão difícil parar de fumar. Mas hoje existem terapias que possibilitam a cessação do tabagismo com sucesso e sem as sensações de desconforto características da abstinência. Parar de fumar é possível, e os benefícios são muitos e aumentam com o passar do tempo. Confira:

20 minutos após fumar o último cigarro:

  • a pressão arterial e a frequência cardíaca voltam ao normal
  • a temperatura das mãos e dos pés aumenta até o nível normal

8 horas após parar:

  • estabilizam-se as concentrações sanguíneas de monóxido de carbono e de oxigênio
  • não há mais nicotina circulando no sangue

48 horas após parar:

  • melhora significativa no olfato e no paladar

1 a 3 semanas após parar:

  • melhora da disposição física
  • melhora a circulação sangüínea
  • a função pulmonar aumenta em até 30%

1 a 9 meses após parar:

  • diminuem a tosse, a congestão nasal, a fadiga e a falta de ar
  • o risco de doença coronariana fica reduzido à metade se comparado ao risco de um fumante

5 anos após parar:

  • em 5 a 15 anos, o risco de derrame cerebral fica reduzido ao mesmo de um não-fumante
  • o risco de câncer de boca, garganta e esôfago chega à metade do risco de um fumante

10 anos após parar:

  • a taxa de morte por câncer de pulmão chega à metade da de um fumante
  • células pré-cancerosas são substituídas por células saudáveis

Publicado em 07/05/2010


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