<p class="cap">Dia 16 de setembro de 2011, 8h35 da manhã. Em um quarto de hotel em São Paulo, pouco mais de 10 pessoas aguardam a chegada de uma das personalidades mais queridas e respeitadas do mundo. Cinco minutos depois, Sua Santidade o Dalai Lama passa pela porta e cumprimenta a todos olhando nos olhos e com um simpático aperto de mãos.</p>
<p><img src="/Publishingimages/pesquisa-ince-simposio-dalai-lama-discute-religiao-ciencia-690X300.jpg" style="padding-bottom:10px"></p>
<p> Um auditório lotado espera pela presença do líder espiritual budista, que passaria o dia em debate com pesquisadores do Einstein e com alguns dos principais neurocientistas do mundo.</p>
<p>Não é sempre que um diálogo aberto entre religião e ciência acontece, ainda mais na presença de 2500 pessoas, todas interessadas em se aprofundar na complexidade do ser humano – seja no sentido fisiológico ou místico.</p>
<p>Ainda na sala, ao sentar-se, Sua Santidade falou: "Buda sempre dizia aos seus seguidores que não acreditassem nele apenas pela fé, mas somente depois de uma investigação daquilo que ele estava dizendo. Isto é científico, não é?", questionou aos presentes. Ele deixava claro o interesse do budismo em se aprofundar no conhecimento sobre o ser humano e, também, a razão de sua participação em um evento com cientistas que estudam o desenvolvimento do cérebro.</p>
<h3><strong>A visita</strong></h3>
<p>Em sua quarta visita ao Brasil, Dalai Lama esteve em São Paulo para se encontrar com empresários, cientistas e líderes religiosos. No segundo dia do evento (que aconteceu de 15 a 17 de setembro) foi a vez da ciência.</p>
<h3><strong>Religião & Ciência</strong></h3>
<p><img src="/Publishingimages/pesquisa-ince-simposio-dalai-lama-discute-religiao-ciencia-300X200.jpg" style="float:right;padding-left:10px"> O simpósio "Estado de Consciência: Encontro entre o Saber Tradicional e o Científico" abriu um debate entre o líder espiritual do budismo – religião para a qual a prática de meditação é fundamental – e os pesquisadores, sobre diferentes níveis de consciência e sobre os benefícios que as práticas meditativas podem oferecer ao cérebro humano. </p>
<p>A discussão foi iniciada após solenidade de abertura com pronunciamento do presidente do Einstein, Dr. Claudio Lottenberg. Em seu discurso, ele salientou a importância das atitudes pacíficas e agregadoras do líder tibetano e do diálogo entre estas duas frentes de pensamento: o científico e o religioso. </p>
<p>"Albert Einstein, nosso patrono, dizia que a ciência sem a religião é manca, e que a religião, sem a ciência, é cega. Nós, entretanto, temos tentado negar ao longo dos anos a importância de que estes mundos devam se conversar", alertava o presidente do Einstein.
"Quando escutamos um líder (como o Dalai Lama) dizer que, se a ciência provar que algumas crenças do budismo são erradas, então o budismo vai ter de mudar, é porque as portas religiosas já se abriram há muito tempo no sentido de aceitar a ciência. E a ciência também tem que se abrir para aceitar a religião", avalia dr. Claudio.</p>
<p>"Somos judeus universalistas, o que significa dizer que, da mesma forma que buscamos respeito pelas nossas crenças, sabemos guardar respeito pelas crenças alheias, sem qualquer tipo de preconceito, com visão ampla e abrangente", explicou.<br>
Além do presidente do Einstein, também participou da cerimônia de abertura o reitor da Universidade Federal de São Paulo, Prof. Dr. Walter Manna Albertoni. </p>
<h3>O simpósio</h3>
<p><img src="/Publishingimages/pesquisa-ince-simposio-dalai-lama-discute-religiao-ciencia-300X400.jpg" class="grid-imagem">No período da manhã, o tema do simpósio foi: "Acessando os Estados de Consciência".</p>
<p>Além do Dalai Lama, participaram a Dra. Caroline Schnakers, da Universidade de Liége, na Bélgica; o Dr. Adrian Owen, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra; e o fundador e diretor espiritual do Mosteiro Drepung Loseling de Atlanta, nos Estados Unidos, Geshe Lobsang Tenzin Negi.</p>
<p>A palestra da pesquisadora belga abordou a importância de um correto diagnóstico do estado de consciência de um paciente (coma, vegetativo, entre outros), para que um tratamento adequado seja aplicado, considerando o seu real estado. </p>
<p>Ela também argumentou sobre a importância de um apoio emocional à família do paciente, para que decisões importantes, como a continuidade ou não do tratamento, por exemplo, não sejam tomadas de forma ansiosa e equivocada.</p>
<p>A apresentação do pesquisador de Cambridge complementava a da Dra. Schnakers no que se refere ao diagnóstico. Ele apresentou casos que comprovam o desenvolvimento da tecnologia de estudo do cérebro, como a Ressonância Magnética Funcional.</p>
<p>"Para acessar a consciência de um indivíduo, é preciso contar com as suas respostas aos estímulos. Até algum tempo atrás, era preciso que ele piscasse os olhos ou levantasse um dedo para que tivéssemos certeza de que existia nele alguma consciência. Com as novas tecnologias, um estudo das respostas cerebrais já pode ser capaz de nos dar essa resposta", afirmou o pesquisador.</p>
<p>Após o almoço, iniciou-se a segunda parte da discussão, com o tema "Práticas Contemplativas, Cérebro e Emoções". Esta fase teve moderação da Dra. Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro, um dos núcleos do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.</p>
<p>Participaram desta segunda sessão o Dr. Edson Amaro Jr, neuroradiologista do Instituto do Cérebro, com a palestra "Plasticidade Cerebral, Cognição e Emoções"; a Dra. Tamara Russell, do King's College de Londres, com uma apresentação sobre "Plasticidade cerebral, cognição e emoções - aplicações clínicas de práticas contemplativas"; além do Dalai Lama e de Geshe Negi, novamente.</p>
<p>Esta segunda parte do evento foi focada nos benefícios que a prática de meditação e de exercícios de consciência plena podem trazer ao cérebro humano, com apresentação de casos e de pesquisas que já vêm sendo realizadas pelo Einstein há cerca de 10 anos.</p>
<p>Veja cobertura completa do evento no vídeo abaixo.</p>
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<p><em>Publicado em setembro/2011</em></p>
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